No mundo com tantas doenças
o povo com pouca crença
eu venho pedir cantando
em sentimentos diversos
eu venho pedir ao vento
dar uma volta pelo Universo.
Pedi ao vento que leve lembrança
prá minha terra
pedi ao vento que leve paz
onde há guerra
pedi ao vento que leve fartura
onde há miséria
pedi ao vento que leve um beijo
nos lábios dela.
O vento foi, o vento veio
será que o vento já me atendeu
só resta agora tu entenderes
que este vento é o nosso Deus.
Pedi ao vento que salve os jovens
perdidos na droga
pedi ao vento que espalhe no céu
o perfume da rosa
pedi ao vento que todas as nações
sejam gloriosas
pedi ao vento protecção
ao filho da mãe amorosa.
Pedi ao vento para acalmar
as ondas dos sete mares
pedi ao vento que leve harmonia
a todos os lares
pedi ao vento que leve embora
a impureza dos ares
pedi ao vento em orações
que fiz nos altares.
Pedi ao vento para nos conduzir
na estrada da vida
pedi ao vento que encontre
as crianças desaparecidas
pedi ao vento que dê ao doente
conforto e guarida
pedi ao vento que a minha prece
seja ouvida.
O Vento foi, o vento veio
será que o vento já me atendeu
só resta agora tu entenderes
que este vento é o nosso Deus.
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
Pedi ao vento
Sou...
Sou um jornalista por dedicação, um escriba por vocação, inquieto por opção e optimista por voluntária obrigação.
domingo, 9 de setembro de 2012
Oswaldo Montenegro - Metade
Hoje estou como a mensagem deste bonito tema.
Há dias assim...
Etiquetas:
Musicas que gosto
O que é que andamos a fazer?
Habituados a pensar que as crises alimentares - e, de caminho, políticas -, do terceiro mundo estão de alguma forma relacionadas com a superabundância destes produtos no chamado primeiro mundo, percebemos as afirmações de alguns dirigentes mundiais que, em plena crise, vêm dizer preto no branco que ela deve ser vista, sobretudo para África, como uma oportunidade de resolução da fome e da pobreza, que têm parecido congénitas.
Se estas podem ser as boas notícias, e se o nosso irracional optimismo nos permite olhar para a questão de uma iminente crise alimentar noutros pontos do globo que até agora não a têm sofrido como resolúvel no curto ou no médio prazo, não dá para contornar o grande mistério de tentar perceber como chegámos aqui. Como é que uma coisa destas pode estar a acontecer? Como é que numa sociedade de abundância conseguimos o novo-riquismo absurdo de deixar que o essencial falhe para que o acessório ou mesmo o supérfluo se mantenham? Como é que nos conseguimos entreter tanto, e fascinar tanto, com os dispositivos e os mecanismos que inventámos para expandir a nossa condição humana que nos esquecemos que, por debaixo dela, está, e estará sempre, uma imperial natureza humana?
De repente, a comidinha, que nos países do círculo de que, mal ou bem, fazemos parte, tem sido um adquirido indiscutível, reentrou na ordem do dia com preocupação.
É que também os países ricos têm pobres, muito pobres, e o aumento galopante de alguns preços faz prever que a fome poderá ser um fenómeno com que teremos de nos confrontar quotidianamente em vez de, como até agora, se manter circunscrito a bolsas populacionais restritas ou como tema longinquo de povos de que apenas ouvimos falar.
O facto de esta e outras situações de igual gravidade estarem a acontecer tem mesmo que nos obrigar a reflectir.
Mas que raio é que andamos a fazer?
Se estas podem ser as boas notícias, e se o nosso irracional optimismo nos permite olhar para a questão de uma iminente crise alimentar noutros pontos do globo que até agora não a têm sofrido como resolúvel no curto ou no médio prazo, não dá para contornar o grande mistério de tentar perceber como chegámos aqui. Como é que uma coisa destas pode estar a acontecer? Como é que numa sociedade de abundância conseguimos o novo-riquismo absurdo de deixar que o essencial falhe para que o acessório ou mesmo o supérfluo se mantenham? Como é que nos conseguimos entreter tanto, e fascinar tanto, com os dispositivos e os mecanismos que inventámos para expandir a nossa condição humana que nos esquecemos que, por debaixo dela, está, e estará sempre, uma imperial natureza humana?
De repente, a comidinha, que nos países do círculo de que, mal ou bem, fazemos parte, tem sido um adquirido indiscutível, reentrou na ordem do dia com preocupação.
É que também os países ricos têm pobres, muito pobres, e o aumento galopante de alguns preços faz prever que a fome poderá ser um fenómeno com que teremos de nos confrontar quotidianamente em vez de, como até agora, se manter circunscrito a bolsas populacionais restritas ou como tema longinquo de povos de que apenas ouvimos falar.
O facto de esta e outras situações de igual gravidade estarem a acontecer tem mesmo que nos obrigar a reflectir.
Mas que raio é que andamos a fazer?
Regresso às aulas - Continente 2012
Um anúncio que me deu volta à cabeça. É a minha primeira experiência em publicidade.
Não tinha ideia formada, a responsabilidade era muita e o tempo muito curto.
Aproveitando a boleia do tema do Boss AC, tudo se tornou mais fácil.
Adiciono o primeiro esboço manuscrito que serviu de base para o produto final.
sábado, 8 de setembro de 2012
Distracções
A distracção é uma inefável característica que, desgraçadamente, não conseguimos usar a bel-prazer. Era óptimo sermos capazes de nos distrairmos quando a conversa não nos interessa; quando as preocupações, umas quaisquer, das mais sérias às mais mesquinhas, se resolvem instalar em nós, perturbar-nos o sono e transformar os dias em sobressaltos cansativos. Era uma maravilha podermos desligar a atenção, desinvestir os nossos costumeiros interesses e entretermo-nos a ver a chuva a cair, a erva a crescer, as pessoas a passar na rua com a simplicidade dos eventos sem história, que apenas acontecem, sem sombras nem máculas.
Era um previlégio flutuar no tempo e na vida sem necessidade de concentrações intensas e doloridas, sem esforços permanentes para fazer render mais, ou melhor, qualquer capacidade que nos dá de comer ou nos propicia um espaço de existência que consideramos adequado.
Queríamos todos ser competentes a distanciar pensamento e emoções que nos afligem.
Ás vezes, irritados com a hiperatenção que nos habita e nos coloca em zonas de tensão e contracção como se tudo à nossa volta fosse muito importante, muito definitivo; como se tudo o que nos cerca tivesse de ser minuciosamente observado e arquivado em memória, clamamos por um qualquer estado de ignorância, embotamento ou distracção que nos permitisse a entrada numa imaginária zona de absoluta tranquilidade.
Mesmo que critiquemos os que nunca prestam atenção, os que nunca dão por coisa alguma, os que parecem viver paredes-meias com uma outra realidade mais agradável ou colorida, os que perguntam constantemente o que se passa para no momento seguinte já estarem longíssimo e alheados, temos sempre um momento em que suspiramos por uma genuína capacidade de desleixo selectivo e deliberado.
Quando nos zangamos, o que para quase todos é uma circunstância muito mais recorrente do que gostariamos, juramos a pés juntos que vamos deixar de nos ralar; que vamos adoptar uma atitude leve e descontraída; que no próximo milénio (ou pelo menos na próxima semana) nos vamos conseguir desligar de tudo o que nos mantém tensos, inquietos, responsáveis e muito preocupados.
Desgraçadamente, parece que estamos condenados a distrairmo-nos quando não queremos com o que não dá jeito, não parece útil ou não resulta frutuoso.
Era um previlégio flutuar no tempo e na vida sem necessidade de concentrações intensas e doloridas, sem esforços permanentes para fazer render mais, ou melhor, qualquer capacidade que nos dá de comer ou nos propicia um espaço de existência que consideramos adequado.
Queríamos todos ser competentes a distanciar pensamento e emoções que nos afligem.
Ás vezes, irritados com a hiperatenção que nos habita e nos coloca em zonas de tensão e contracção como se tudo à nossa volta fosse muito importante, muito definitivo; como se tudo o que nos cerca tivesse de ser minuciosamente observado e arquivado em memória, clamamos por um qualquer estado de ignorância, embotamento ou distracção que nos permitisse a entrada numa imaginária zona de absoluta tranquilidade.
Mesmo que critiquemos os que nunca prestam atenção, os que nunca dão por coisa alguma, os que parecem viver paredes-meias com uma outra realidade mais agradável ou colorida, os que perguntam constantemente o que se passa para no momento seguinte já estarem longíssimo e alheados, temos sempre um momento em que suspiramos por uma genuína capacidade de desleixo selectivo e deliberado.
Quando nos zangamos, o que para quase todos é uma circunstância muito mais recorrente do que gostariamos, juramos a pés juntos que vamos deixar de nos ralar; que vamos adoptar uma atitude leve e descontraída; que no próximo milénio (ou pelo menos na próxima semana) nos vamos conseguir desligar de tudo o que nos mantém tensos, inquietos, responsáveis e muito preocupados.
Desgraçadamente, parece que estamos condenados a distrairmo-nos quando não queremos com o que não dá jeito, não parece útil ou não resulta frutuoso.
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