Cada geração tem as suas referências. As referências são como o próprio nome o diz, alusões, que umas vezes endossam para alguém ou alguma coisa que marcou firmemente um tempo, um modo de estar, de ser ou de fazer; outras vezes exprimem relações dinâmicas entre acontecimentos ou eventos que se tornaram paradigmáticos; e, outras vezes, ainda, funcionam como modelos intemporais.
As razões por que as pessoas usam todo o tipo de referências e, especificamente, referências geracionais, são capazes de ter que ver com o nosso desejo de semelhança, de proximidade, de encontrar pares. O desejo de, através do reconhecimento de memórias comummente valorizados, actualizar o passado e, dessa forma, preservar identidades.
O facto de mudarmos - mudarmos simplesmente porque crescemos, envelhecemos e, nesse trajecto, perdermos algumas coisas e ganharmos umas outras - e reformulamos constantemente a visão dos outros e do mundo é bem capaz de jogar um papel decisivo no facto de apreciarmos o encaixilhar de momentos ou de pequenas histórias sem importância que, ainda assim, são as nossas e as de alguns outros, já irreconhecíveis, já dispersos, já disfarçados pelos anos e pela compostura da maturidade. Daí que as referências funcionem como um sinal, como uma espécie de desencadeador de cumplicidades, que dizem o que dizem e, sobretudo, convidem, no que não conseguem dizer, a uma viagem por outros tempos e por outras formas de sermos nós.
No âmbito desta nossa necessidade de referências, que às vezes são muito dotas e outras de uma trivialidade constrangedora, dei-me conta, um destes dias, que uma das referências incontornáveis da minha geração estava à beira do colapso. Dei-me conta que um género de Banda Desenhada que alimentou bravas discussões familiares entre pré-adolescentes e pais perdeu espaço. Que os livros de quadradinhos que faziam parelha com os compêndios da escola nas entediantes tardes em que se estudava entre as aventuras do Fantasma e do Mandrake, português e matemática, sumiram.
Dei-me conta que já não se cita a Mafalada & C.ª, que já ninguém sabe a verdadeira história da Vampirella, que o Cisto Kid, o Cavaleiro Andane e o Major Alvega desapareceram, que até o Blake & Mortimer, o Lucky Luke ou mesmo o Astérix ou o Corto Maltese caminham a passos largos para o esquecimento.
Valendo o que vale, que por acaso acho que é imenso, fico cheia de pena que se cresça sem este tipo de referências tão prazenteiras e insubstituiveis.
sábado, 13 de outubro de 2012
E a Banda Desenhada?
Etiquetas:
crónicas
Local:
2845 Amora, Portugal
terça-feira, 9 de outubro de 2012
AEQC-TV Os Cavaquinhos - Atuação na Festa dos Comerciantes da Quinta do ...
Um apresentador que tem o hábito de cantar com os artistas. As minhas desculpas ao Mestre Rolando Barros, à Idalina e aos restantes membros do Grupo de Cavaquinhos pela intrusão, num dos vossos temas.
Temos que nos divertir, né?
Nada nos pertence
Um homem morreu intempestivamente...
Ao dar-se conta viu aproximar-se um ser muito especial que não se parecia com nenhum ser humano. Trazia uma mala consigo...
Disse-lhe:
- Bom amigo, é hora de irmos...Eu sou a morte!
O homem assombrado perguntou à morte.
- Já? Tinha tantos planos...
- Sinto muito amigo, mas chegou o momento da partida.
- Que trazes na mala?
E a morte respondeu-lhe:
- Os teus pertences.
- Os meus pertences? São as minhas coisas, as minhas roupas de marca e o meu dinheiro?
- Não amigo, as coisas materiais que tinhas nunca te pertenceram, eram da terra.
- Trazes as minhas recordaçõs?
- Não amigo, essas já não vêem contigo. Nunca te pertenceram, eram do tempo.
- Trazes os meus talentos?
- Não amigo, esses nunca te pertenceram, eram das circunstâncias.
- Trazes os meus amigos, os meus familiares?
- Não amigo, eles nuncam te perteceram, eram do caminho.
- Trazes a minha mulher e os meus filhos?
- Não amigo, eles nunca te pertenceram, eram do coração.
- Trazes o meu corpo?
- Não amigo, esse nunca te pertenceu, era propriedade da terra.
- Então, trazes a minha alma?
- Não amigo, ela nunca te pertenceu, era do Universo.
Então o homem cheio de medo, arrebatou a mala à morte, abriu-a e deu-se conta de que estava vazia.
Com as lágrimas de desespero a brotar dos seus olhos, o homem perguntou à morte:
- Nunca tive nada?
- Tiveste sim, meu amigo! Cada um dos momentos que viveste foram só teus.
A vida é só um momento...Um momento todo teu! Por isso, desfruta-o na sua totalidade.
Vivamo-lo AGORA...
Nota: Não é uma preocupação de agora, pois há muito que tenho sentido que muitas das minhas histórias, que foram publicadas em vários órgãos de informação quase sempre com o título: "Vida Real...Gente Real...Que Real Natal!" aparecem em emails reencaminhados com ilustrações e musicados, sem referirem o nome do autor nem a fonte de onde foi retirado. Chegou-se ao ponto de um colega jornalista, Jorge H. Santos, ter-me informado que num site de uma firma de «Conteúdos Financeiros Alemã», estar postado um trabalho meu, como forma de publicitar os seus produtos. Neste caso, fez-se o reparo do nome e queriam pagar pelo abuso de direitos de autor. Respondi, que não era mercenário da escrita, mas, ou retiravam a história ou colocavam o meu nome no final, apenas e só! Com o pedido de desculpas da multinacional removeram o conteúdo publicitário.
Existem muitos trabalhos do qual sou autor, a circular pela net (via emails) e tal como afirmou o Miguel Sousa Tavares (que vê os seus livros circularem de email para email em formato pdf) não vale a pena lutar contra estes "tubarões cibernautas" e não justifica apresentar queixa contra terceiros, porque nunca vai dar em nada.
Portanto, se verificarem que alguma história que coloco neste meu blog for já vossa conhecida, ela pertence-me. Não publico nada que não seja da minha autoria.
Uns criam...Outros copiam!
Joaquim Maneta Alhinho
Ao dar-se conta viu aproximar-se um ser muito especial que não se parecia com nenhum ser humano. Trazia uma mala consigo...
Disse-lhe:
- Bom amigo, é hora de irmos...Eu sou a morte!
O homem assombrado perguntou à morte.
- Já? Tinha tantos planos...
- Sinto muito amigo, mas chegou o momento da partida.
- Que trazes na mala?
E a morte respondeu-lhe:
- Os teus pertences.
- Os meus pertences? São as minhas coisas, as minhas roupas de marca e o meu dinheiro?
- Não amigo, as coisas materiais que tinhas nunca te pertenceram, eram da terra.
- Trazes as minhas recordaçõs?
- Não amigo, essas já não vêem contigo. Nunca te pertenceram, eram do tempo.
- Trazes os meus talentos?
- Não amigo, esses nunca te pertenceram, eram das circunstâncias.
- Trazes os meus amigos, os meus familiares?
- Não amigo, eles nuncam te perteceram, eram do caminho.
- Trazes a minha mulher e os meus filhos?
- Não amigo, eles nunca te pertenceram, eram do coração.
- Trazes o meu corpo?
- Não amigo, esse nunca te pertenceu, era propriedade da terra.
- Então, trazes a minha alma?
- Não amigo, ela nunca te pertenceu, era do Universo.
Então o homem cheio de medo, arrebatou a mala à morte, abriu-a e deu-se conta de que estava vazia.
Com as lágrimas de desespero a brotar dos seus olhos, o homem perguntou à morte:
- Nunca tive nada?
- Tiveste sim, meu amigo! Cada um dos momentos que viveste foram só teus.
A vida é só um momento...Um momento todo teu! Por isso, desfruta-o na sua totalidade.
Vivamo-lo AGORA...
Nota: Não é uma preocupação de agora, pois há muito que tenho sentido que muitas das minhas histórias, que foram publicadas em vários órgãos de informação quase sempre com o título: "Vida Real...Gente Real...Que Real Natal!" aparecem em emails reencaminhados com ilustrações e musicados, sem referirem o nome do autor nem a fonte de onde foi retirado. Chegou-se ao ponto de um colega jornalista, Jorge H. Santos, ter-me informado que num site de uma firma de «Conteúdos Financeiros Alemã», estar postado um trabalho meu, como forma de publicitar os seus produtos. Neste caso, fez-se o reparo do nome e queriam pagar pelo abuso de direitos de autor. Respondi, que não era mercenário da escrita, mas, ou retiravam a história ou colocavam o meu nome no final, apenas e só! Com o pedido de desculpas da multinacional removeram o conteúdo publicitário.
Existem muitos trabalhos do qual sou autor, a circular pela net (via emails) e tal como afirmou o Miguel Sousa Tavares (que vê os seus livros circularem de email para email em formato pdf) não vale a pena lutar contra estes "tubarões cibernautas" e não justifica apresentar queixa contra terceiros, porque nunca vai dar em nada.
Portanto, se verificarem que alguma história que coloco neste meu blog for já vossa conhecida, ela pertence-me. Não publico nada que não seja da minha autoria.
Uns criam...Outros copiam!
Joaquim Maneta Alhinho
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Pequenas histórias
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
II Gala de Canções do Zeca
Não imaginam a satisfação que meu deu apresentar esta Gala de Canções do Zeca Afonso, em parceria com a Ana Cristina Videira.
Deram-me ainda o previlégio de declamar um dos poemas do Zeca (Os Eunucos).
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Apresentação de Eventos
O tempo e as máquinas
Se são muitos os pais que se preocupam com o uso que os seus filhos, infantes e adolescentes, dão às horas que passam nos seus computadores, são bastante menos os que se ocupam, de facto, com o assunto.
A maioria destes pais, provavelmente, nem sabe bem o que pode ou deve fazer nem quais os limites que tem de estabelecer ao uso de um instrumento tão propagado e louvado.
Exactamente porque o uso destes aparelhos aparece envolto numa aura de benefícios imensos, sem os quais, aliás, parece não ser possivel crescer e progredir, está fora de causa responsabilizá-los pelos usos indevidos a que podem ser sujeitos. Aparentemente, os computadores transformaram-se em utensílios básicos de estudo e de conhecimento com inevitáveis efeitos secundários, tão descritos quanto pouco avaliados. Ainda assim, todos sabem nomear os tais usos indevidos que variam entre as horas a jogar e as horas de eventuais contactos considerados como perniciosos e "desencaminhadores". Como pano de fundo dos maiores medos parentais, aparece o acesso a sítios em que o sexo seja o motivo de encontro e conversa, com as inerentes fantasias, muito promovidas por séries de televisão, de que o respectivo rebento se cruze com um serial killer, com uma organização pedófila, ou então simplesmente com um exibicionista versão ciber que, ainda assim, destapa uma diferente espécie de gabardina.
Com todas as vantagens e desvantagens das maquinetas, tenho para mim que nem vale a pena complicar nem desistir de estabelecer limites neste campo como em todos os outros.
O maior problemas do uso dos computadores pelos mais novos não é o que lá se encontra, porque apenas concentra e espelha auilo que existe, e também se encontra, nos outros mundos menos virtuais. O maior problema é mesmo o tempo despendido: a teclar, a jogar, a pesquisar, a fazer o que quer que seja que se aproxime da obsessão e diminua de forma significativa o investimento no mundo que gira à volta.
Apenas porque a vida é sempre, aqui e agora, e o virtual um espaço de recurso, inverter os termos da valorização facilita o que mais tememos: ficar isolados e descobrir aí um enorme sentimento de solidão.
A maioria destes pais, provavelmente, nem sabe bem o que pode ou deve fazer nem quais os limites que tem de estabelecer ao uso de um instrumento tão propagado e louvado.
Exactamente porque o uso destes aparelhos aparece envolto numa aura de benefícios imensos, sem os quais, aliás, parece não ser possivel crescer e progredir, está fora de causa responsabilizá-los pelos usos indevidos a que podem ser sujeitos. Aparentemente, os computadores transformaram-se em utensílios básicos de estudo e de conhecimento com inevitáveis efeitos secundários, tão descritos quanto pouco avaliados. Ainda assim, todos sabem nomear os tais usos indevidos que variam entre as horas a jogar e as horas de eventuais contactos considerados como perniciosos e "desencaminhadores". Como pano de fundo dos maiores medos parentais, aparece o acesso a sítios em que o sexo seja o motivo de encontro e conversa, com as inerentes fantasias, muito promovidas por séries de televisão, de que o respectivo rebento se cruze com um serial killer, com uma organização pedófila, ou então simplesmente com um exibicionista versão ciber que, ainda assim, destapa uma diferente espécie de gabardina.
Com todas as vantagens e desvantagens das maquinetas, tenho para mim que nem vale a pena complicar nem desistir de estabelecer limites neste campo como em todos os outros.
O maior problemas do uso dos computadores pelos mais novos não é o que lá se encontra, porque apenas concentra e espelha auilo que existe, e também se encontra, nos outros mundos menos virtuais. O maior problema é mesmo o tempo despendido: a teclar, a jogar, a pesquisar, a fazer o que quer que seja que se aproxime da obsessão e diminua de forma significativa o investimento no mundo que gira à volta.
Apenas porque a vida é sempre, aqui e agora, e o virtual um espaço de recurso, inverter os termos da valorização facilita o que mais tememos: ficar isolados e descobrir aí um enorme sentimento de solidão.
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
Festa de Corroios parte 3
Foi um prazer dar esta entrevista...
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
Credibilidade
A credibilidade não é, definitivamente, um valor do nosso tempo.
A bem da verdade, nem sei mesmo se alguma vez a credibilidade chegou a ser um valor. Tudo o que se sabe, tudo o que a história passada nos diz, é que na vida, tal como dizem que acontece na política, é muito mais importante parecer do que ser. A responsabilidade da coisa até pode ser dos meios de comunicação actuais, que se entretêm no interessante exercício de fazer narrativas alternativas àquelas que quem tem imagens a vender se esforça por manter.
Aliás. parece que isto se aplica à credibilidade como se aplica a uma extensa lista de virtudes e características que se devem ter, que se deseja que os amigos, os filhos e as pessoas todas com quem se priva de perto tenham. Pode ser que seja para bem delas, mas também pode ser que, lá no fundo, acreditemos que existem estatutos que se obtêm por contágio e proximidade e, nessa medida, se nos colem à pele e não nos deixem cair em tentação.
A credibilidade, como todos os valores, tem um enorme inconveniente de tender para o absoluto. Ou seja, ou se é credível ou não se é. Sem meias tintas, sem coloridos ambíguos, sem aquela enorme zona de entremeio onde nos costumamos mover e ser. Como resultado, os vulgares mortais que conseguem ser credíveis nuns tantos aspectos e absolutamente para esquecer noutros tantos, quando expostos à enorme tentação de parecerem perfeitos, caem como patos. Limam as arestas que lhes davam graça, vestem as cintas e os corpetes dos avôs, fazem todos os liftings que podem e a que têm direito na santa ingenuidade que ninguém dá por isso.
O resultado até poderia ser gravoso, mas, sendo dado que vivemos no tempo e no lugar em que vivemos, quer dizer sem interesse na história nem investimento na memória, a credibilidade ou a falta dela transforma-se apenas em mais um tema, um fait-divers que se comenta de passagem e se arruma numa prateleira alta, muito alta.
Para uns, porque o dia-a-dia aperta e exige demais, para outros, porque os próprios telhados de vidro são facilmente atingíveis, para mais uns tantos, porque há o risco de perder alguma coisa importante, para os restantes, porque o que não é um valor, não o é, e assunto arrumado.
À laia de conclusão, advertência ou exortação, só pode ficar o convite ao humor, ao recurso à capacidade de rir de nós próprios, dos outros e do curioso e atabalhoado mundo em que vamos vivendo. Quem não tiver isso como recurso arrisca-se a sofrer demais, a descrer demais, a suspirar por outros tempos que, provavelmente, nunca foram.
A bem da verdade, nem sei mesmo se alguma vez a credibilidade chegou a ser um valor. Tudo o que se sabe, tudo o que a história passada nos diz, é que na vida, tal como dizem que acontece na política, é muito mais importante parecer do que ser. A responsabilidade da coisa até pode ser dos meios de comunicação actuais, que se entretêm no interessante exercício de fazer narrativas alternativas àquelas que quem tem imagens a vender se esforça por manter.
Aliás. parece que isto se aplica à credibilidade como se aplica a uma extensa lista de virtudes e características que se devem ter, que se deseja que os amigos, os filhos e as pessoas todas com quem se priva de perto tenham. Pode ser que seja para bem delas, mas também pode ser que, lá no fundo, acreditemos que existem estatutos que se obtêm por contágio e proximidade e, nessa medida, se nos colem à pele e não nos deixem cair em tentação.
A credibilidade, como todos os valores, tem um enorme inconveniente de tender para o absoluto. Ou seja, ou se é credível ou não se é. Sem meias tintas, sem coloridos ambíguos, sem aquela enorme zona de entremeio onde nos costumamos mover e ser. Como resultado, os vulgares mortais que conseguem ser credíveis nuns tantos aspectos e absolutamente para esquecer noutros tantos, quando expostos à enorme tentação de parecerem perfeitos, caem como patos. Limam as arestas que lhes davam graça, vestem as cintas e os corpetes dos avôs, fazem todos os liftings que podem e a que têm direito na santa ingenuidade que ninguém dá por isso.
O resultado até poderia ser gravoso, mas, sendo dado que vivemos no tempo e no lugar em que vivemos, quer dizer sem interesse na história nem investimento na memória, a credibilidade ou a falta dela transforma-se apenas em mais um tema, um fait-divers que se comenta de passagem e se arruma numa prateleira alta, muito alta.
Para uns, porque o dia-a-dia aperta e exige demais, para outros, porque os próprios telhados de vidro são facilmente atingíveis, para mais uns tantos, porque há o risco de perder alguma coisa importante, para os restantes, porque o que não é um valor, não o é, e assunto arrumado.
À laia de conclusão, advertência ou exortação, só pode ficar o convite ao humor, ao recurso à capacidade de rir de nós próprios, dos outros e do curioso e atabalhoado mundo em que vamos vivendo. Quem não tiver isso como recurso arrisca-se a sofrer demais, a descrer demais, a suspirar por outros tempos que, provavelmente, nunca foram.
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