Nem mais...
domingo, 10 de março de 2013
ZAGA - «Uma genuína obra de arte» (Joaquim Maneta Alhinho)
Para quem peguntava há muito tempo a razão do nome ZAGA, aqui vai:
Zé-ninguém Alegre com Garra de Artista.
Nem mais...
Nem mais...
Etiquetas:
Emoções cantadas
sábado, 9 de março de 2013
ZAGA (Joaquim Maneta Alhinho) - Fala bem
Etiquetas:
Emoções cantadas
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
sábado, 16 de fevereiro de 2013
ZAGA - O Cantor Latino da Actualidade
Como é que de uma personagem ficticia se viria a tornar um caso sério da música portuguesa!
Etiquetas:
Emoções cantadas
domingo, 3 de fevereiro de 2013
Necessidades fabricadas
A indústria do entretenimento é uma das mais poderosas do mundo.
Inexplicávelmente é uma indústria que apenas três ou quatro países levam a sério e cultivam com o mesmo empenho com que os nossos ancestrais se dedicaram a fazer proliferar novas actividades. Também é verdade que foram poucos os que apostaram nas Descobertas e que acharam, na altura, que trazer chá, canela ou pimenta do outro lado do mundo era o jackpot que depois se verificou.
Mas parece que, numa compreensível e atávica angústia relacionada com o interesse e utilidade intrínsecos do que se faz, são muitos mais os que preferem intervir em processos, ou produzir produtos de primeira necessidade, do que aqueles que apostam sem medo no que é, objectivamente, supérfluo.
Claro que o supérfluo tem que se diga.
Dando de barato o chá, a canela ou a pimenta, quem é capaz de sustentar que carros pessoais, auto-estradas, casas de praia e no campo, roupas novas todas as estações, cosméticos, enlatados, rações para animais, dúzias de aparelho electrodomésticos, computadores pessoais, iPods, milhares de produtos sortidos que atafulham grandes superfícies são de primeira necessidade?
Quem é que defende que viveríamos pior se não tivéssemos água engarrafada, sumos e refrigerantes de todas as cores, pratos pré-cozinhados, dúzias de marcas de iogurtes, cereais, gelados ou bolachas? Quem é que acha que seria sumamente infeliz se não tivesse acesso às frutas, peixes e carnes de lugares distantes?
Ou seja, vivemos num tempo em que, assumidamente, estamos mergulhados em necessidades fabricadas, em produtos de valor intrínseco mais que discutível, em indústrias que só são importantes porque existem e movimentam pessoas e dinheiro.
Sabemos que alguns entretenimentos afectam a nossa vida quotidiana - o futebol, por exemplo -, mas endossamo-los para a categoria "desporto", como se isso lhe desse uma dignidade diferente.
Quando habitamos fora das cidades, queixamo-nos da falta de oferta cultural, um modo elegante de dizer que não há espectáculos, entretenimento, suficiente para as nossas eventuais necessidades.
E, no entanto, o outrora esplendoroso cinema europeu definha, os compositores e músicos europeus não passam nas rádios nem nas televisões, os teatros mais intelectualizados ou mais populares não são estimulados, as iniciativas amadoras são mal amadas ou olhadas com sobranceria.
No pressuposto que não conseguimos fazer melhor do que os que estão na indústria do entretenimento há mais tempo, não fazemos ou caímos numa contra-atitude elitista, muito preocupada com a qualidade cultural, que é como quem diz "estão verdes, não prestam" ou, melhor, "chapéu há muitos".
Inexplicávelmente é uma indústria que apenas três ou quatro países levam a sério e cultivam com o mesmo empenho com que os nossos ancestrais se dedicaram a fazer proliferar novas actividades. Também é verdade que foram poucos os que apostaram nas Descobertas e que acharam, na altura, que trazer chá, canela ou pimenta do outro lado do mundo era o jackpot que depois se verificou.
Mas parece que, numa compreensível e atávica angústia relacionada com o interesse e utilidade intrínsecos do que se faz, são muitos mais os que preferem intervir em processos, ou produzir produtos de primeira necessidade, do que aqueles que apostam sem medo no que é, objectivamente, supérfluo.
Claro que o supérfluo tem que se diga.
Dando de barato o chá, a canela ou a pimenta, quem é capaz de sustentar que carros pessoais, auto-estradas, casas de praia e no campo, roupas novas todas as estações, cosméticos, enlatados, rações para animais, dúzias de aparelho electrodomésticos, computadores pessoais, iPods, milhares de produtos sortidos que atafulham grandes superfícies são de primeira necessidade?
Quem é que defende que viveríamos pior se não tivéssemos água engarrafada, sumos e refrigerantes de todas as cores, pratos pré-cozinhados, dúzias de marcas de iogurtes, cereais, gelados ou bolachas? Quem é que acha que seria sumamente infeliz se não tivesse acesso às frutas, peixes e carnes de lugares distantes?
Ou seja, vivemos num tempo em que, assumidamente, estamos mergulhados em necessidades fabricadas, em produtos de valor intrínseco mais que discutível, em indústrias que só são importantes porque existem e movimentam pessoas e dinheiro.
Sabemos que alguns entretenimentos afectam a nossa vida quotidiana - o futebol, por exemplo -, mas endossamo-los para a categoria "desporto", como se isso lhe desse uma dignidade diferente.
Quando habitamos fora das cidades, queixamo-nos da falta de oferta cultural, um modo elegante de dizer que não há espectáculos, entretenimento, suficiente para as nossas eventuais necessidades.
E, no entanto, o outrora esplendoroso cinema europeu definha, os compositores e músicos europeus não passam nas rádios nem nas televisões, os teatros mais intelectualizados ou mais populares não são estimulados, as iniciativas amadoras são mal amadas ou olhadas com sobranceria.
No pressuposto que não conseguimos fazer melhor do que os que estão na indústria do entretenimento há mais tempo, não fazemos ou caímos numa contra-atitude elitista, muito preocupada com a qualidade cultural, que é como quem diz "estão verdes, não prestam" ou, melhor, "chapéu há muitos".
sábado, 2 de fevereiro de 2013
Ze Ramalho - Negro Amor (And It's All Over Now, Baby Blue)
O cantor Zé Ramalho é pouco conhecido em Portugal, e é pena, pois trata-se de um "filósofo" da vida, um grande poeta universal e acima de tudo um interprete com um vozeirão de fazer tremer a calçada. Eu gosto...
Etiquetas:
Musicas que gosto
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
Desalento versus Optimismo
Vivemos num país lindíssimo. Claro que existem muitos outros países bonitos. Uns em belezas naturais, outros com cidades notáveis nas suas arquitecturas antigas ou muito modernas; alguns em que a História se cheira e nos acompanha nas ruas; outros que parecem destinados a férias permanentes. Há países habitados por povos muito simpáticos; outros com uma gastronomia que nos desenha roteiros; outros tão exóticos que só lá estar já é uma aventura; outros tão cosmopolitas que nos sentimos em banho cultural.
Mas, não retirando o mérito e a beleza aos que o têm, e comparando-os, obviamente, com países de idêntica dimensão, sempre se tem de concluir que a nossa mistura, mesmo desarrumada, tem encanto.
Há o mar ali sempre perto, há a luminosidade dos dias, que é um bem sem preço, há gente calorosa, comida bem feita, vinho saboroso, monumentos a pontuar as vistas quanto baste. Há uma paisagem que muda, permitindo-nos a sensação de, num só dia, viver muitos sítios e muitas experiências.
Já agora, em que se está a gabar o garbo cá da terra, diga-se que se encontram detalhes memoráveis: igrejinhas, hotéis de charme, lugares bem conservados, com um toque de requinte de outros tempos.
Posto isto, vamos ao resto, ao enorme resto, que suscita desolação e que é mais notório em período de férias, em que a dispersão das pessoas e a interrupção dos ritmos normais facilita a contemplação e a emergência de outros olhares.
As cidades, as vilas, os lugarejos, quase todos, são locais de uma decadência que escorre dos letreiros de vende-se e aluga-se; das lojas fechadas ou a trespasse; dos taipais nas janelas; dos milhares de edifícios antigos ao abandono, e os novos, sobretudo os que se dizem de escritórios, com ar de que não hão-de chegar a velhos, porque ninguém lhes pega. Depois, há os jardins maltratados; os caixotes do lixo, ladeados por entulho, à beira das estradas; os muitos subúrbios cheios de rotundas absurdas ou de obras de engenharia, ridículas, a tornear zonas candidatas a indiscutível implosão.
Mesmo o que está habituado e em uso tem, por regra, falta de tinta, falta de gosto, falta de investimento; ou. então, é arrumado, limpo, bonitinho e choca terrivelmente com tudo o resto, que o não é.
Deste quadro de decadência que todos vemos, sobressai depois o optimismo de alguns, que continuam a construir estradas paralelas às que já existem e novos condomínios, prefrencialmente de luxo, com nomes fabulosos.
Será que vemos todos o mesmo?
Mas, não retirando o mérito e a beleza aos que o têm, e comparando-os, obviamente, com países de idêntica dimensão, sempre se tem de concluir que a nossa mistura, mesmo desarrumada, tem encanto.
Há o mar ali sempre perto, há a luminosidade dos dias, que é um bem sem preço, há gente calorosa, comida bem feita, vinho saboroso, monumentos a pontuar as vistas quanto baste. Há uma paisagem que muda, permitindo-nos a sensação de, num só dia, viver muitos sítios e muitas experiências.
Já agora, em que se está a gabar o garbo cá da terra, diga-se que se encontram detalhes memoráveis: igrejinhas, hotéis de charme, lugares bem conservados, com um toque de requinte de outros tempos.
Posto isto, vamos ao resto, ao enorme resto, que suscita desolação e que é mais notório em período de férias, em que a dispersão das pessoas e a interrupção dos ritmos normais facilita a contemplação e a emergência de outros olhares.
As cidades, as vilas, os lugarejos, quase todos, são locais de uma decadência que escorre dos letreiros de vende-se e aluga-se; das lojas fechadas ou a trespasse; dos taipais nas janelas; dos milhares de edifícios antigos ao abandono, e os novos, sobretudo os que se dizem de escritórios, com ar de que não hão-de chegar a velhos, porque ninguém lhes pega. Depois, há os jardins maltratados; os caixotes do lixo, ladeados por entulho, à beira das estradas; os muitos subúrbios cheios de rotundas absurdas ou de obras de engenharia, ridículas, a tornear zonas candidatas a indiscutível implosão.
Mesmo o que está habituado e em uso tem, por regra, falta de tinta, falta de gosto, falta de investimento; ou. então, é arrumado, limpo, bonitinho e choca terrivelmente com tudo o resto, que o não é.
Deste quadro de decadência que todos vemos, sobressai depois o optimismo de alguns, que continuam a construir estradas paralelas às que já existem e novos condomínios, prefrencialmente de luxo, com nomes fabulosos.
Será que vemos todos o mesmo?
Subscrever:
Mensagens (Atom)