Uma das mais antigas e arreigadas tradições nas sociedades humanas diz respeito às regras de sucessão e herança.
De facto, todos os tempos cultivaram, como denodo, artefactos de manutenção da propriedade para lá do normal periodo de vida, como se a morte não fosse um fim.
Mesmo sabendo todos nós que um dia desapareceremos, o facto é que, quer enquanto índividuos quer enquanto grupos, funcionamos numa lógica de acumulação, como se o que juntamos, o que adquirimos como propriedades e bens, tivesse um qualquer poder supletivo, nesta e noutras vidas.
Entretemo-nos, agora como sempre, a encontrar segurança e poder numa qualquer ideia de enriquecimento em vida e a atribuir um qualquer controlo remoto ao seu destino, quando já não peretencermos a este plano de existência.
Neste curioso exercício, primeiro de acumulação e depois de controlo da sucessão, parece que ganhamos mais tempo ou margem de manobra. Parece que juntamos mais um grão de imortalidade na afirmação transgeracional de que fomos, fizemos obra ou deixámos marca.
Deixar aos filhos, ou a outros dilectos, instrumentos de vantagem para o curso das suas próprias vidas pareceria assegurar gratidões mais extensas e memórias mais favoráveis, como se fosse necessário e fizesse algum sentido negociar e garantir a nossa presença em gerações vindouras.
Para lá desta perspectiva pessoal que move os indivíduos no desejo de deixarem herança, há a circunstância visível de quase todas elas acabarem por ser presentes envenedados ou maldições familiares.
nada resulta tão desagregante e disruptivo para laços estabelecidos sob o primado da paridade e do afecto como dividir despojos. Independentemente do valor do que está em jogo, emergem competições e conflitos, diferenças irreconciliáveis até aí disfarçados, juízos de valor sobre intenções escondidas e tudo o mais que nem se sabia que existia.
Se ainda não se descobriu nenhum meio simpático de dar destino ao que perdeu o dono, talvez estivesse em tempo de questionar a lógica instituída deste sistema tão arcaico como perverso.
segunda-feira, 15 de abril de 2013
As heranças
sábado, 30 de março de 2013
Entrada do artista ZAGA
Com muito amadorismo à mistura ficou desta forma. Arcaico... mas verdadeiro!
Uma verdadeira obra de arte. Digo eu...
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segunda-feira, 25 de março de 2013
Com responsabilidade, reclame!
Por ínvias razões, fala-se muito mais do direito que as pessoas têm a reclamar do que propriamente do dever de cidadania que é fazer com que tudo o que é mal feito, despropositado ou fora de regra chegue ao conhecimento de quem tem responsabilidades tutelares.
Se não quiserem pôr as coisas em termos de cidadania, ponham-nas em termos da qualidade dos consumidores que, não sendo a mesma coisa, para o caso vertente tem um razoável efeito prático semelhante.
De facto, se são muitos os que, volta em vez, argumentam e refilam em situações em que se sentem injustiçados, enganados ou maltratados e falam mais alto, dizem o que devem e o que não devem e aproveitam incidentes quotidianos para expulsar de uma assentada frustrações acumuladas, são muito poucos os que se dão ao trabalho de pedir um livro de reclamações, escrever uma carta ou mandar um mail em que o desconforto experimentado é alinhavado em meia dúzia de frases explicativas.
Os argumentos habituais para justificar a quase ausência de reclamações pensadas e escritas (em vez das múltiplas discussões de guichê ou quase insultos a funcionários cansados, mesmo que patéticos) vão desde o "não vale a pena, já que não acontece nada", ao "não tenho jeito para escrever", passando pelo extraordinário "tenho mais que fazer" e continuando por diversas fórmulas de medos, uns de represálias, que, sobretudo em prestações de serviços muito especializadas, pairam em fundo, outros de enfrentar funcionários hiperzelosos que não os têm.
O não hábito de reclamar da forma que está definida para o efeito propícia a distância brutal que existe entre a representação que vamos que vamos adquirindo pessoalmente sobre o funcionamento do nosso pequeno mundo, a partir das nossas próprias experiências e do que vamos ouvindo nos círculos em que nos movemos, e o que depois os serviços e as empresas propagandeiam a seu próprio respeito. Do ponto de vista delas, o cliente está sempre em primeiro lugar e um dos objectivos estratégicos, do grande banco à pequena mercearia de bairro, é de que percebamos que existem para nos servir e, nesse sentido, se preocupam connosco, pensam no nosso bem-estar e fazem tudo o que é possível para agradar. Para confirmar isso mesmo, têm as avaliações muito bem pensadas e suficientemente generalistas para caber quase tudo na categoria do "não se aplica" e, com que resta, terem umas estatísticas que são a prova provada da satisfação dos clientes.
Como entretanto não há queixas nem reclamações directas para justificar uma maior atenção, os reclamantes habituais entram directamente na categoria de "chatos" e descobrimos um dia, por acaso, que vivemos no melhor dos mundos porque ninguém se queixa.
Apetece-me um slogan: "Seja responsável, reclame!"
Se não quiserem pôr as coisas em termos de cidadania, ponham-nas em termos da qualidade dos consumidores que, não sendo a mesma coisa, para o caso vertente tem um razoável efeito prático semelhante.
De facto, se são muitos os que, volta em vez, argumentam e refilam em situações em que se sentem injustiçados, enganados ou maltratados e falam mais alto, dizem o que devem e o que não devem e aproveitam incidentes quotidianos para expulsar de uma assentada frustrações acumuladas, são muito poucos os que se dão ao trabalho de pedir um livro de reclamações, escrever uma carta ou mandar um mail em que o desconforto experimentado é alinhavado em meia dúzia de frases explicativas.
Os argumentos habituais para justificar a quase ausência de reclamações pensadas e escritas (em vez das múltiplas discussões de guichê ou quase insultos a funcionários cansados, mesmo que patéticos) vão desde o "não vale a pena, já que não acontece nada", ao "não tenho jeito para escrever", passando pelo extraordinário "tenho mais que fazer" e continuando por diversas fórmulas de medos, uns de represálias, que, sobretudo em prestações de serviços muito especializadas, pairam em fundo, outros de enfrentar funcionários hiperzelosos que não os têm.
O não hábito de reclamar da forma que está definida para o efeito propícia a distância brutal que existe entre a representação que vamos que vamos adquirindo pessoalmente sobre o funcionamento do nosso pequeno mundo, a partir das nossas próprias experiências e do que vamos ouvindo nos círculos em que nos movemos, e o que depois os serviços e as empresas propagandeiam a seu próprio respeito. Do ponto de vista delas, o cliente está sempre em primeiro lugar e um dos objectivos estratégicos, do grande banco à pequena mercearia de bairro, é de que percebamos que existem para nos servir e, nesse sentido, se preocupam connosco, pensam no nosso bem-estar e fazem tudo o que é possível para agradar. Para confirmar isso mesmo, têm as avaliações muito bem pensadas e suficientemente generalistas para caber quase tudo na categoria do "não se aplica" e, com que resta, terem umas estatísticas que são a prova provada da satisfação dos clientes.
Como entretanto não há queixas nem reclamações directas para justificar uma maior atenção, os reclamantes habituais entram directamente na categoria de "chatos" e descobrimos um dia, por acaso, que vivemos no melhor dos mundos porque ninguém se queixa.
Apetece-me um slogan: "Seja responsável, reclame!"
sábado, 16 de março de 2013
MERCADO NEGRO- Com Os Meus Olhos.mp4
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Musicas que gosto
domingo, 10 de março de 2013
ZAGA - «Uma genuína obra de arte» (Joaquim Maneta Alhinho)
Para quem peguntava há muito tempo a razão do nome ZAGA, aqui vai:
Zé-ninguém Alegre com Garra de Artista.
Nem mais...
Nem mais...
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sábado, 9 de março de 2013
ZAGA (Joaquim Maneta Alhinho) - Fala bem
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terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
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