quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
sábado, 15 de fevereiro de 2014
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
Azar que é azar nunca vem só.
Há uma clássica superstição que toda a gente conhece, sobre o facto de partir um espelho implicar sete anos de azar.
Esta ideia radica numa outra mais antiga de que o reflexo humano, a imagem devolvida a partir de qualquer superfície refletora, exprimir a própria alma do indivíduo e, nesse sentido, significar, ao ser quebrada, uma quebra na própria identidade, quando não a própria morte.
Se os sujeitos não morressem por quebra de identidade, pelo menos sofriam um período longo de infelicidades várias, os tais sete anos, que, de acordo com muitas tradições, corresponderia ao tempo de um ciclo completo da vida humana.
De superstição em superstição e de mito em mito, vão sobrando para os dizeres quotidianos e as convicções de cada um nós fórmulas interessantes de racionalizar os tempos difíceis que atravessamos.
Num destes dias, nas inevitáveis conversas de café que já não são só sobre o estado do tempo, alguém afirmava, cheio de certezas, que o país atravessava sete anos de azar, já que era esse o tempo das crises.
Numa fase da vida colectiva e individual em que a incerteza paira em redor como se fora um enorme e espesso manto, estas crenças inadvertidamente partilhadas resultam esperançosas.
De um lado temos que as previsões oficiais e oficiosas que a vida, tal como a conhecíamos, acabou. Que a sensação de segurança relativa de que gozávamos, assente num sem número de direitos adquiridos, é agora uma página virada.
Por outro lado, temos ainda expectativas, baixas, mas expectativas.
A vantagem de expectativas baixas é, como se sabe, a de não ter enormes decepções, o que parece francamente irrisório num quadro em que o Contrato Social esgaça por todos os lados. Mas, porque somos humanos, precisamos delas. Precisamos de nos poder projectar no futuro e acreditar que algures no trilho que seguimos encontraremos um almejado conforto.
E a vida continua. Além de continuar, como continua sempre independentemente das conjunturas e das vicissitudes, as pessoas continuam iguais a si próprias, a necessitar de estímulos e alento. Continuam, por isso, em busca de sentidos que consigam compreender. E, convenhamos, sete anos é um bonito número.
Mesmo que também se lembrem, vagamente, de outras tradições que mostrem que sete anos não são um prazo mas apenas um tempo longo de elaboração ou recalcamento: "Sete anos de pastor Jacob servia Labão, pai de Raquel".
Esta ideia radica numa outra mais antiga de que o reflexo humano, a imagem devolvida a partir de qualquer superfície refletora, exprimir a própria alma do indivíduo e, nesse sentido, significar, ao ser quebrada, uma quebra na própria identidade, quando não a própria morte.
Se os sujeitos não morressem por quebra de identidade, pelo menos sofriam um período longo de infelicidades várias, os tais sete anos, que, de acordo com muitas tradições, corresponderia ao tempo de um ciclo completo da vida humana.
De superstição em superstição e de mito em mito, vão sobrando para os dizeres quotidianos e as convicções de cada um nós fórmulas interessantes de racionalizar os tempos difíceis que atravessamos.
Num destes dias, nas inevitáveis conversas de café que já não são só sobre o estado do tempo, alguém afirmava, cheio de certezas, que o país atravessava sete anos de azar, já que era esse o tempo das crises.
Numa fase da vida colectiva e individual em que a incerteza paira em redor como se fora um enorme e espesso manto, estas crenças inadvertidamente partilhadas resultam esperançosas.
De um lado temos que as previsões oficiais e oficiosas que a vida, tal como a conhecíamos, acabou. Que a sensação de segurança relativa de que gozávamos, assente num sem número de direitos adquiridos, é agora uma página virada.
Por outro lado, temos ainda expectativas, baixas, mas expectativas.
A vantagem de expectativas baixas é, como se sabe, a de não ter enormes decepções, o que parece francamente irrisório num quadro em que o Contrato Social esgaça por todos os lados. Mas, porque somos humanos, precisamos delas. Precisamos de nos poder projectar no futuro e acreditar que algures no trilho que seguimos encontraremos um almejado conforto.
E a vida continua. Além de continuar, como continua sempre independentemente das conjunturas e das vicissitudes, as pessoas continuam iguais a si próprias, a necessitar de estímulos e alento. Continuam, por isso, em busca de sentidos que consigam compreender. E, convenhamos, sete anos é um bonito número.
Mesmo que também se lembrem, vagamente, de outras tradições que mostrem que sete anos não são um prazo mas apenas um tempo longo de elaboração ou recalcamento: "Sete anos de pastor Jacob servia Labão, pai de Raquel".
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
Já não sou folha seca
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
sábado, 25 de janeiro de 2014
Desatar o nó da vida
Desatar o nó da vida
Tu não podes dizer
que tudo está perdido
embora as tuas tristezas naveguem
e bruscamente se afundam no mar
nesse banquete sem sabores
na roda-viva que nos tonteia
quando o sol já não abre a tua janela
e a lua se perde entre as estrelas
venho oferecer-te o meu coração!
Entre as cores sombrias da saudade
e o brilho opaco da tristeza
porque nada é fácil como pensava
mas tão simples de seguir
se não consegues desatar os nós
e juntar as pontas no mesmo laço
e apesar de perdido nos escombros
fraco por não ter mais forças
venho oferecer-te o meu coração!
Podemos falar sobre a vida
ou falar simplesmente do nada
quando o silêncio te ensurdece
ecoando as mágoas que carregas
quando a razão te virou as costas
e seguiu sem te dizer adeus
quando a escuridão do teu quarto
só a minha luz te ilumina
não podes dizer
que tudo está perdido
já que vim oferecer-te o meu coração!
Nota: Todos os direitos reservados pelo autor
domingo, 19 de janeiro de 2014
Tempo
Tempo
Tempo que houve
tempo que trouxe
tempo que se move
tempo em que o tempo parou
tempo de semear
a paz, a esperança, o amor
tempo de plantar
tempo de colher
as flores e os frutos do saber.
Tempo de chegar
de me aconchegar
tempo de partir
quando não dá mais para ficar
tempo de voltar
no tempo, se for preciso.
Tempo de saudade
do grande amor
tempo de ter vontade
seja do que for
tempo de estares aqui
bem juntinho a mim.
Tempo que foi meu
tempo de alegria
tempo que foi teu
tempo de euforia
tempo nosso
que se fez eterno.
Tempo de todos os tempos
tempo de infidelidade
tempo inverso
que versa o meu universo
tempo de comtemplar
as cores do arco-iris
tempo de chorar
tempo de sonhar
que foi engano
que não aconteceu comigo.
Nota: Todos os direitos reservados.
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