quinta-feira, 20 de setembro de 2012

João Pedro Pais - Vens ou Ficas?


Um tema marcante para mim. Quando aceitei o desafio de escrever para o JPP, recebi apenas o piano como alinhamento. Sem conhecimentos musicais, colocar as palavras por entre esta bonita musicalidade, não foi tarefa fácil. Trocaram a palavra «Azeitão» por «estação», mas tudo bem...
Nasceu uma balada linda que tem sido pouco explorada pelas rádios e pelo JPP. Merecia mais!

Espirito de Família

Portugal é um país envelhecido, querendo com isto dizer exactamente o mesmo que as estatísticas exprimem - a existência de mais pessoas na velhice do que na infância - e as famílias sentem dificuldades em conciliar o desejo de procriar com a responsabilidade de apoiar as gerações anteriores.
O envelhecimento, em si mesmo, não tem nada de complicado. Mas o tratamento social que se faz dos diferentes períodos da vida em conjunto quer com a tradição, quer com as políticas de família, acarreta um conjunto de consequências com que depois se tem de lidar. Entre elas há um paradoxal situação: à medida que as famílias foram diminuindo a sua extensão e o seu campo de influência, viram aumentar a sua atribuição de competências.
As famílias actuais têm que providenciar, directa ou indirectamente, além de vínculos afectivos, condições materiais óptimas para os seus velhos e para as suas crianças, sendo que a esmagadora maioria não tem recursos para tal.
Tem que se compatibilizar horários de trabalho com a existência de crianças pequenas que só podem ser cuidadas por dispositivos existentes na comunidade, como sejam infantários, creches e escolas, numa ínfima parte desse tempo. Quer dizer, ou se tem bastante dinheiro, ou se tem a sorte de ter uma rede social de apoio extensa, ou criar dois ou três filhos transforma-se numa tarefa hercúlea, extenuante e, por essa via, pouco gratificante.
Em relação aos idosos, o mesmo se passa. Ou se tem recursos económicos e relacionais enormes ou, tarde ou cedo, o confronto com doenças, lutos, incapacidades funcionais ou mentais dos mais velhos transforma a vida familiar num extraordinário exercício exercício de equilibrismo na gestão, sempre deficiente, das famílias que se vai tendo.
Depois, o Estado, que é suposto administrar os recursos comuns no interesse comum, elege outros interesses como prioritários e endossa às famílias a responsabilidade de descobrir como se pode fazer omoletas sem ovos, quer dizer, proporcionar, além de afecto, condições materiais de desenvolvimento, tratamento e acompanhamento de todos os que necessitam e que, por sorte ou por azar, estão ligados pelos laços de sangue.
Se não se espera que um estado actual seja dono de creches ou residências assistidas, tenha baby-sitters ou cuidadores formais ao serviço, espera-se, legitimamente, que seja capaz de delinear políticas em que esses recursos não sejam um luxo dispendioso mas uma infra-estrutura da vida humana com alguma dignidade.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Uma certa porcaria

Como sabem, a miséria, a ignorância e mais umas tantas coisas da mesma antipática família vêem-se também pelos sinais que espalham à sua volta.
Alguns países do mundo impressionam pelo facto de chamarem cidades a imensos bairros de lata, sem saneamento básico, sem níveis de salubridade mínimos, sem qualquer noção de ordenamento ou organização que acabou por transmitir uma sensação caótica que, mais do que provavelmente, é a que caracteriza o estilo de vida ou de sobrevivência das populações.
Outros países, mais arrumadinhos e sofisticados, cultivam outros patamares de miséria e ignorância, como o que não se vê não existisse. Aí proliferam outros níveis de porcaria: os metais pesados no mar, os pesticidas nos alimentos, a desconsideração sistemática e tonta sobre aquilo que a comunidade cientifica diz que dstrói e mata, a nós e ao planeta.
Num nívem mais intermédio, mais próximo de nós e da nossa forma de viver e estar, o que vai existindo é uma certa quantidade de sujidade: das pessoas, das ruas, dos espaços públicos e privados que, simultaneamente, informa sobre os níveis de civilidade e cidadania dos sujeitos, sobre os padrões éticos e estáticos que perfilham, sobre a qualidade do investimento que fazem na vida em sociedade.
Curiosamente (e é mesmo curioso) verifica-se que vamos fazendo com os espaços públicos o que as pessoas pouco diferenciadas de outros tempos (e talvez ainda) faziam com as suas casas: tinham uma sala para hipotéticas visitas, muito bonita, muito bem arranjada, com tudo o que consideravam ser do bom e do melhor, e que se esforçavam por manter sempre impecável, mas viviam quotidianamente, nas traseiras, em espaços atabalhoados, enfezados e nem sempre asseados.
Essas salas, tipo montra de uma realidade que não existia, serviam para fazer de conta. Por serem excessivas em relação às necessidades e ao estilo de vida dos sujeitos, eram sítios tratados como santuários onde não se punha os pés, onde não se vivia, mas que pareciam existir para cumprir uma função referencial ou de consolação.
Também nós, hoje em dia, vamos tendo salas de visita que tratamos de idêntica maneira. Falamos delas como se fossem a nossa casa, mas passamos o tempo em subúrbios bons para explodir, em estilos de vida desleixados, em comunidades que não têm grande sentimento de pertença e que, quando o têm, acartam o lixo para a comunidade vizinha como quem esconde a porcaria debaixo da carpete.

PACO BANDEIRA - "O teu VELHO"


Uma certa nostalgia...
A amizade e o amor não se devem mendigar.
Nasce e brota naturalmente!

Minha Velha

Agora és a minha velha
que anda só e caminhando
sua tristeza infinita
de tanto seguir andando.

Para quê tanta tortura
que assaltou os meus dias
eu desculpo a loucura
que marcou a minha vida.

Velha, minha querida velha
agora caminha lenta
como perdoando o vento
eu sou o teu sangue velhota
o teu silêncio e o teu tempo.

Seus olhos são tão serenos
sua figura cansada
pela idade foi vencida
mas caminha sobre estrada.

Eu vivo os dias de hoje
em ti o passado lembra
que só a dor e o sofrimento
tem a sua história sem tempo
velha, minha querida velha.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Fernando Tordo canta "Adeus Tristeza"


A vida é um jogo e como qualquer jogo tem que ser jogado. Umas vezes jogamos bem e ganhamos, outras, jogamos menos bem e perdemos. O ganho e a perca fazem parte da vida. Façamos então o jogo da vida!