segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Natal: Confrontação da Família

Podendo ser muitas coisas, de facto o Natal é hoje a festa da família. E as famílias idealizadas que o marketing todo-poderoso não se cansa de promover.
Como a distância entre as famílias reais e as outras que vamos interiorizando que deviam ser, é enorme, o Natal acaba por ser um tempo de confrontação.
Confrontação com a falta de família, com os conflitos de família, com os assuntos pendentes na família, com os limites e também com famílias que temos e de quem não gostamos ou que não gostam de nós.
Vivemos num tempo de famílias muito pequenas. São muitos os filhos únicos e as famílias à beira da extinção pela não reprodução. TEmos mais idosos que jovens e muitas separações e divórcios.
O simples facto de um casal jovem de filhos únicos, por exemplo, ter que rodar pelas casas dos respectivos pais já implica que cada família de origem fique com a sensação de que tem um Natal coarctado. Se este mesmo casal jovem tiver um dos pais em segundas núpcias, a complicação agudiza-se porque fica logo com dois dias para estar com três famílias. Se, por acaso, um deles tiver um filho de uma anterior relação, o drama instala-se, porque a separação das pessoas mais significativas é incontornável.
Cresce depois a questão dos idosos, dos inúmeros idosos, pais, tios, avós que nesta época se torna visíveis em nome de uma invocada solidariedade familiar e intergeracional.
As visitas aos lares ou o instalar em casas pequenas avós e tios que foram ficando isolados porque quanto mais velho se é, maior é a possibilidade de tal acontecer, torna-se uma obrigação que se quer cumprir mas, também, numa confrontação, muitas das vezes dramática, com inúmeros e difíceis problemas que não se sabem resolver.
Posto isto, e chegando ao fim de festa, é preciso perceber que não é só connosco que as coisas não correm tão bem como se desejaria.
Que não somos só nós que não temos a família perfeita. Se conseguirmos perceber que a festa da família é uma das obrigações que se pode cumprir com o mesmo "fair play" que se usa para casamentos, baptizados e funerais, pode ser que se consiga escapar ao sentimento mais patente nestes dias: a autopiedade.
Como se sabe, os fins de festa dão sempre em ressaca.

Nota: Todas as crónicas deste blogue não se regem pelo Novo Acordo Ortográfico por vontade expressa do seu autor.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Miguel Araújo - Os Maridos Das Outras

Tantos comentários e tanta polémica à volta deste tema, mas ainda não vi ninguém no Youtube tentar saber o significado de "Arquétipo" e do "Pináculo"...

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Adelaide Ferreira - Há Quanto Tempo (Eu Espero)



Foi um previlégio ter escrito este tema para esta voz magnifica. Para mim, uma das melhores vozes femininas a cantar em Portugal. Esta canção fez parte da telenovela da TVI,  «Dei-te quase tudo» e foi um sucesso estrondoso. Hoje, um pouco esquecida pelas rádios... De quando em vez vai ainda rolando.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Consequência da verdade

Todas as áreas de conhecimento humano são mutáveis.
Aquilo que sabemos agora não é o mesmo que saberemos daqui a uns anos, e aquilo que hoje tomamos como certo e como adquirido diz-nos a experiência que será um dia obsoleto e risível.
Se no mundo dito tecnológico - um mundo que encara como meramente instrumental - estas mudanças são tão rápidas que todos nós mal nos lembramos de como era viver na década passada, sem telemóveis nem computadores, no mundo das ideias dir-se-ia que tudo pia mais fino.
Parece estranho que dividamos o conhecimento em fatias e façamos de conta que a tecnologização rápida pode ser asséptica e inconsequente na forma como encaramos o mundo e as relações entre pessoas e povos. Parece, e é, estranho que façamos de conta que os meios e o tempo gasto na persecução de fins ou de objectivos não toquem a essência última dessas metas arvoradas em sentidos de realização ou de vida. Ou seja, e cortando a direito, não dá para fazer de conta que termos feito, enquanto sociedade, uma escolha tecnológica não tem consequências na forma como olhamos o mundo e como nos situamos na relação com os outros.
Mas o facto é que formas e conteúdos se imbricam intimamente.
Não é exactamente a mesma coisa falar diariamente com alguém que está no outro lado do mundo, vendo-o por câmara, ou escrever longas cartas no silêncio da noite olhando para uma fotografia que, de dia para dia, vai desbotando.
Não é a mesma coisa escrever lentamente à mão, procurando a palavra perfeita que exprima a ideia que se esboça, evitando a rasura e a emenda, do que cortar e colar textos já escritos de muitas origens e de muitos diferentes momentos.
Não é a mesma coisa esperar que as estações do ano determinem as tarefas, o acordar e o deitar, a roupa que se veste e os tempos de socialização do que viver em ar condicionado com ocupações indiferentes ao ritmo dos dias.
Porque é diferente, porque o mundo que criámos cria em nós formas de estar e ser de um tipo que não sabemos precisar, não são desprezíveis os contornos das mudanças que nos mudam.
Mesmo que não queiramos, mesmo que não saibamos, o jogo continua: verdade ou consequência.

domingo, 18 de novembro de 2012