sábado, 27 de julho de 2013

A alegria do regresso a casa

Ao fim de um dia de trabalho, de preocupações, de luta, atirado ao mundo ilimitado de interesses e ambições, sabe bem aquela expectativa de paz, de aconchego, do nosso pequeno mundo entre quatro paredes.
Tenho uma pena infinita daqueles que não podem voltar, ou não têm tecto onde se abrigar. São como pássaros que tivessem que permanecer em vôo, sem um embalo de um ramo, ou a quentura de um ninho.
Na pressa do retorno, no fim da jornada, em plena rua, nos bancos das praças, os vultos indigentes dos que não voltam, dos que terão de ficar, dos que veêm chegar a noite, indiferentes ao estranho burburinho humano que lembra o dos pardais, nas árvores da cidade.
Então, não consigo evitar que um pensamento amargo turve o meu apressado egoísmo e uma tristeza inevitável esvoaça por momentos como uma borboleta negra que entrasse por uma janela aberta.
Todos nós, diariamente, ao entardecer, somos como marinheiros de nós mesmos; navios que se avizinham do porto de origem, ansiamos por avistar a paisagem do coração, por encontrar os que nos são queridos, os que justificam as partidas de todos os dias, o quotidiano exílio do trabalho.
Sou um homem que acha que, até nas viagens de puro prazer, a grande alegria é o regresso a casa.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Joaquim Maneta Alhinho assina pela «Chiado Editora»

É com imenso prazer que comunico aos meus amigos e leitores que assinei contrato com a «Chiado Editora» com vista à edição do romance "Paixões Complicadas".
O lançamento está previsto para o dia 5 de Outubro, com o local ainda por defenir. A Editora está a preparar um mega-lançamento com muita musicalidade e muitos colunáveis de vários meios artisticos estarão também presentes.
A certeza é que correrei todas as Fnac do País, TVs, Rádios e outros eventos se irão realizar com vista à promoção desta obra literária.
Se um dia a amiga e colega Manuela Moura Guedes me apelidou de "modesto irritante" por não aparecer nos grandes palcos, hoje, já não vai acontecer o mesmo.
Admito que vivi sempre na sombra dos grandes acontecimentos e que permiti que muitos se galvanizassem para o estrelato.
Agora, chegou a minha hora...
Vou mediatizar até à exaustão este meus 4 romances que farão parte do meu próximo livro. Depois, podem-me apelidar de "vaidoso" que não me vou importar mesmo nada.
Disse!

quarta-feira, 10 de julho de 2013

ZAGA - Passo horas à janela


Um excelente instrumental do "cirurgião" da musica e produtor Jorge Miguel.
Agradeço à "JM Produções" e ao "Trio Clave" pelas facilidades concedidas ao Artista ZAGA.

domingo, 16 de junho de 2013

Nelia - Praia (Music Video Official)


Foi com enorme prazer que trabalhei em dois temas desta cantora luso-americana Nélia. Humilde e muito séria. Assim, vale a pena...

sábado, 15 de junho de 2013

Das vacas gordas às esqueléticas...

O nosso admirável mundo sempre foi pleno de contradições e assimetrias.
Caracteristicas essas que têm sido consideradas como bases em que assentam os mais relevantes e violentos conflitos que atravessam tempos e latitudes. Daí que o desenvolvimento civilizacional em que alinhámos a partir de uma fase a que passámos a chamar Modernidade se tenha voltado para ideias promotoras de valores conducentes ao seu esbatimento.
Essas ideias, que têm sofrido transformações e ajustamentos e não as traves-mestres da nossa organização social, mais coisa menos coisa, vão no sentido de valorizar o significado da vida e dignidades humanas.
Mesmo que depois demos conta que implementar essas ideias consensuais nas práticas quotidianas seja uma tarefa nunca acabada, o facto é que as passamos de geração em geração como boas e a maioria de nós, pelo menos de vez em quando, aflige-se de forma consequente com as contradições e assimetrias que fazem de uns seres humanos filhos e de outros enteados.
Em época assumidamente de vacas magras, talvez já esqueléticas, aparece, no entanto, um discurso estapafúrdio sobre a crise.
Alguns defendem que a crise não existe, porque as praias estão cheias, os festivais de Verão também, os iPhone e outros derivados vendem como se fossem precisos e toda a gente está na rua a passear como se não houvesse razões de preocupação.
A acrescentar aos argumentos, ainda se pode invocar as casas caras e os carros potentes que se continuam a vender bem e, já agora, as lojas cheias nos saldos, os centros comerciais sempre a crescer, os restaurantes e os espectáculos que vão tendo público.
Isto para não falar nos ordenados dos gestores públicos ou dos futebolistas, de uma ou outra festa de arromba ou das viagens que algumas pessoas populares fazem nas férias.
Por qualquer extraordinária razão, agarra-se nas sitauações que exemplificam o excepcional ou o estouvado para generalizar e não concluir o óbvio: que hoje como sempre continuam a existir de forma acentuada contradições e assimetrias.

sábado, 8 de junho de 2013

Ritmo do amor

É isto que e o povo gosta? Então, aqui vai...
Ao ritmo do amor.
Uma pequena falha na entrada para o instrumental não desvaloriza o trabalho de um verdadeiro artista.
Podia ter-se repetido, mas o ZAGA entendeu que a originalidade marca pontos.
É como o algodão...Não engana!

Desorganizados, Trapalhões e Desarrumados

A organização, seja do que for, é um permanente esforço de luta contra o caos. Nessa medida, é também, de um ponto de vista colectivo e global, o garante da existência das sociedades humanas com as suas múltiplas e diversas culturas e civilizações.
De um ponto de vista mais individualizado, sabemos todos que a nossa própria organização - das ideias em primeiro lugar, e depois das tarefas, das rotinas, das prioridades, dos afectos, dos espaços, dos objectos - é, se não uma condição de sobrevivência, pelo menos um instrumento poderoso da gestão de uma vida que se quer de alguma qualidade.
Enquanto povo, temos fama e proveito de sermos desorganizados. Se somos do mais eficaz que se pode encontrar em situações de crise e de ruptura, se nos desenvencilhamos como ninguém em situações muito difíceis ou problemáticas, se quando tudo está perdido conseguimos descobrir a luz ao fundo do túnel, parece que no quotidiano somos trapalhões, dessarrumados, confundindo de forma sistemática e descarada a nuvem com Juno.
Como entretanto a vida não é um filme de acção, daqueles em que o relógio ou a ampulheta aparecem a assinalar o escoar de um tempo limitado, em que a situação ou mesmo o mundo é salvo no último minuto, temos dificuldades sérias em parecermos, e sermos, pessoas descontraídas que sabem o que têm a fazer, e o fazem, sem excessivos sobressaltos nem necessidade de rasgos espectaculares.
Porque a vida não tem que ser, nem deve ser, uma luta contra moinhos de vento, fica deslocado o clima de combate, resistência, guerrilha urbana e o mais que se verifica a propósito de tudo e nada.
Na actual circunstância, em que um conjunto de mudanças tem que ser feito de forma a adequar estruturas poeirentas e rançosas a realidades excessivamente lubrificadas, o que emerge, o que põe toda a gente à beira de um ataque de nervos, é a óbvia desorganização.
O diz-que-diz, o anda-para-a-frente e depois-para-trás ou para-o-lado, o embandeirar-em-arco com coisas miúdas, o tentar controlar através de procedimentos que enfermam dos mesmos defeitos do que se tenta mudar, resultam como se vê: mal.

Nota: Esta crónica não se está em concordância com o Novo Acordo Ortográfico por vontade expressa do seu autor.

                                                   Joaquim Maneta Alhinho