sábado, 17 de maio de 2014
sábado, 10 de maio de 2014
Expressões do Adolescentes
Desde os anos 70 que se tem
vindo a notar uma fornada de palavras (expressões/calões) que têm sido acrescidas até aos dias de hoje.
Foram os adolescentes que
passaram esta nova “moda” linguística aos mais velhos.
Numa breve pesquisa encontrámos diversas “palavras” e que julgo não estará com certeza completo.
Faltarão aqui algumas, ou
muitas expressões...
Anos 70
Fatela: Aplicava-se a coisas, roupa ou pessoas de gosto
duvidoso. No liceu, quem era fatela tinha, por norma, o nível de popularidade
irremediavelmente comprometido.
Fosga-se: Parecia que era, mas não era. E sempre matava a
vontade de dizer um palavrão sem cair em pecado. Não queria dizer nada de
especial, só demonstrava espanto.
Vai-te catar: Podia surgir no fim de uma discussão ou se um amigo
descobria que o outro estava a gozar com ele. Era o mesmo que dizer “vai
passear” ou “vai bugiar”.
Anos
80
Meu: Era uma
espécie de ponto final das frases, nas conversas com os amigos: “Estás bem,
meu? Não imaginas, meu!”
Iá: Se o
“meu” percebesse o que o outro estava a dizer, respondia “iá”, que era o mesmo
que “sim” ou “hum, hum”.
Baril: Um
tipo baril era alguém com boa onda, de quem todos queriam ser amigos.
Fixe: O
significado era o mesmo que baril, mas fixe era uma espécie de aspirina: servia
para tudo: desde as calças até à stôra de Matemática.
Bute: Dito
com um ar decidido, era um tiro de partida. Quando alguém dizia “bute”
convidava os outros a seguirem-no.
Anos 90
Bué: A palavra
chegou a Portugal com os retornados, em 1975, e vem de uma das línguas mais
faladas em Angola, o quimbundo. Primeiro só circulava entre os que vieram de
África. Depois, não havia miúdo que não o usasse em vez de “muito”. Dizer “bué”
era bué da fixe. A palavra ainda dura.
Bacano: Uma
espécie de baril dos anos 90. Um bacano era um gajo porreiro.
Bezana: O
mesmo que buba ou bebedeira. Resultava da ingestão de vários copos a mais.
Tá a bazar: Maneira
fixe e uma verdadeira alternativa ao enfadonho e engomado “vamo-nos embora?”
Cena: Servia
para tudo, como coisa. Uma cena podia ser fixe ou terrível, mas também se podia
contar uma cena a alguém. Estão a perceber a cena? Perpetuasse até aos dias de
hoje.
Chunga: Já
se usava antes, mas depois do Herman José criar a personagem do Zé Chunga, tudo
o que era de baixo nível passou a ter direito a este rótulo, que se mantém
actual.
Cota: Mais
uma herança do Ultramar: em Angola, um cota era um velho respeitável. Cá, é só
um velho, ou então o pai ou a mãe.
Anos 2000
Dah: Burro.
Sinónimo de “tecla 3”, o botão dos telemóveis que juntavam as DEF, início da
palavra deficiente. Não era um elogio, portanto.
Tipo: Foi (e
é) uma das maiores pragas da linguagem juvenil. Eles tipo dizem tipo isso para
tipo tudo. Não quer dizer nada.
Mitra: É o
chunga do novo milénio. O dicionário Priberam da Língua Portuguesa diz que se
refere a uma “pessoa considerada reles”.
Nice: A
palavra é inglesa, mas já foi adaptada. Os miúdos usam-na quase tanto como as
portuguesas fixe, bom, espectacular.
Cool: O
mesmo que nice: E fixe: E bom,
espectacular.
Anos 2010
Troll: O
mesmo que mongo, anormal.
À Boss: Também
se diz “à patrão”. Significa que alguém conseguiu alguma coisa especial, ou foi
tratado de maneira especial.
Muita Forte: Quando
alguém é “muita forte” pode até não ter grandes músculos, mas pode ser só um cromo
com a mania de que é bom.
Chillar: Baza
aí chillar uma beca? Se não tem filhos adolescentes, aqui vai a tradução:
“Embora aí descontrair um bocado?”
OMG: Lê-se
“Oh my god” e fica a meio caminho entre o espanto e o êxtase. Muito popular nas
redes sociais.
SOC’: Lê-se
“sóss” e é a abreviatura de sócio. Ficou herança do vídeo do chinês de Paulo
Futre. Quer dizer amigo.
Brutal: De
zero a 10, brutal é 20. Ninguém quer perder uma festa ou um concerto assim.
JMA
Etiquetas:
Pequenas histórias
segunda-feira, 28 de abril de 2014
O silêncio
sábado, 26 de abril de 2014
A vida são dois dias...
Certamente
já ouviu este dito popular. Ao pronunciá-lo, as pessoas querem transmitir-nos a
ideia de que tudo passa muito rápido, portanto, há que aproveitar enquanto cá
andamos, valorizando o que temos de bom e colocando "para trás das costas”
os aspectos menos felizes. Mas, em alturas de crises como esta que estamos a
atravessar, é difícil lembrarmo-nos disso. Olhamos à nossa volta e vemos tudo
negro. É como se colocássemos um pano escuro à frente dos olhos, que nos
impedem de ver os lados bonitos do dia. Ficamos irritados quando os amigos nos
dizem “não estejas assim, já viste que existe gente em pior condições que
tu”...pois, pensamos nós, com o mal dos outros...
Vivemos tão intensamente os
problemas que tudo o resto deixa de fazer sentido. Este tema lembra-me o filme A vida é bela, que considero uma
verdadeira obra-prima. Talvez até esteja um pouco sugestionada, mas, mostra-nos
como, apesar dos problemas, se consegue manter o optimismo e transmitir uma
mensagem de esperança. Não foi também por acaso que o famoso psicoterapeuta
Victor Frankl desenvolveu a sua teoria, procurando encontrar um sentido para a
vida, durante a estada num campo de concentração nazi. É fantástico pensar como
o ser humano consegue mobilizar energias a ponto de ultrapassar as mais duras
provações, sempre de cabeça erguida. Estes exemplos dão-nos esperança e é
verdade que “enquanto há esperança, há vida!”. A manutenção da esperança
repercute-se até a nível físico. Está hoje provado que somos mais do que um corpo,
pelo que os aspectos psicológicos têm um grande peso, mesmo no que concerne ao
adoecer corporal. Deixam-se vencer pela doença, baixando os braços, desistindo
até de viver e não conseguem ultrapassar os obstáculos que vão surgindo. Alguns
estudos feitos em Portugal têm mostrado que somos um país de deprimidos, que
somos os maiores consumidores de anti-depressivos e ansioliticos. A política
deixou de constituir um pólo de interesse, o desemprego e o custo de vida são
uma constante sempre em crescimento, as desistências da escola também, só nos
alegramos com os jogos de futebol, caso contrário andamos tristonhos e
enfadados com tudo e todos. O que nos resta afinal? Lamentarmo-nos, é claro.
Mas, o lamento, por si só, não resolve nada. É como viver permanentemente em
círculos, sem sairmos do lugar. Ou, como eu costumo dizer, passamos a vida a
correr atrás de nós próprios e nunca nos encontramos. Há que encontrar
soluções, operar mudanças na nossa vida, mesmo que pequeninas, porque desse
somatório pode resultar uma sociedade bastante melhor e mais optimista.
É certo que não podemos viver num permanente carnaval
mas, enquanto sambamos, carregamos energias. Existem inúmeras festas e romarias
por este país fora, nesta altura do ano. Porque não as aproveitar e as utilizar
de forma a encarar o futuro de uma maneira mais positiva. Façam-me um favor...Sejam
felizes!
Joaquim Maneta Alhinho
terça-feira, 22 de abril de 2014
segunda-feira, 7 de abril de 2014
O tempo e as máquinas
Se são muitos os pais que se preocupam
com o uso que os seus filhos, infantes e adolescentes, dão às horas que passam
nos seus computadores, são bastante menos os que se ocupam, de facto, com o
assunto.
A maioria destes pais, provavelmente,
nem sabe bem o que pode ou deve fazer nem quais os limites que tem de
estabelecer ao uso de um instrumento tão propagado e louvado.
Exactamente porque o
uso destes aparelhos aparece envolto numa aura de benefícios imensos, sem os
quais, aliás, parece não ser possível crescer e progredir, está fora de causa
responsabilizá-los pelos usos indevidos a que podem ser sujeitos.
Aparentemente, os computadores transformaram-se em utensílios básicos de estudo
e conhecimento com inevitáveis efeitos secundários, tão descritos quanto pouco
avaliados. Ainda assim, todos sabem nomear os tais usos indevidos que variam
entre as horas a jogar e as horas de eventuais contactos considerados como
perniciosos e, “desencaminhadores”. Como pano de fundo dos maiores medos
parentais, aparece o acesso a sítios em que o sexo seja o motivo de encontro e
conversa, com as inerentes fantasias, muito promovidas por séries de televisão,
de que o respectivo rebento se cruze com um serial
killer, com uma organização pedófila, ou tão simplesmente com um
exibicionista versão “ciber” que, ainda assim, destapa uma diferente espécie de
gabardina.
Com todas as
vantagens e desvantagens das maquinetas, tenho para mim que nem vale a pena
complicar nem desistir de estabelecer limites neste campo como em todos os
outros.
O maior problema do
uso dos computadores pelos mais novos não é o que lá se encontra, porque apenas
concentra e espelha aquilo que existe, e também se encontra, nos outros mundos
menos virtuais. O maior problema é mesmo o tempo despendido: a teclar, a jogar,
a pesquisar, a fazer o que quer que seja que se aproxime da obsessão e diminua
de forma significativa o investimento no mundo que gira à volta.
Apenas porque a vida
é sempre, aqui e agora, e o virtual um espaço de recurso, inverter os termos da
valorização facilita o que mais tememos: ficar isolados e descobrir aí um
enorme sentimento de solidão.
Joaquim
Maneta Alhinho
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
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