quarta-feira, 24 de junho de 2015

O elogio


O elogio

Terapeutas que trabalham com famílias divulgaram numa recente pesquisa, que os membros das famílias estão cada vez mais frios, mais distantes, o carinho é cada vez menor, não se valorizam as qualidades, facilmente se ouvem críticas destrutivas.
As pessoas estão cada vez mais intolerantes e desgastam-se na valorização dos defeitos dos outros.
Por isso, as relações de hoje não duram.
A ausência de elogio está cada vez mais presente nas famílias. Não vemos mais os homens a elogiar as suas mulheres ou vice-versa, não vemos os chefes a elogiar o trabalho de seus subordinados, não vemos mais pais e filhos a elogiar-se; etc.
Só vemos futilidades: valorizam-se artistas, cantores, jogadores, pessoas que usam a imagem para ganhar dinheiro e que, por consequência, são pessoas que têm a obrigação de cuidar do corpo, do rosto, das aparências.
A ausência de elogio afecta muito as pessoas e as famílias.
Há falta de diálogo nos lares. O orgulho e a agitação da vida impede que as pessoas digam o que sentem.
Depois despejam-se essas carências nos consultórios.
Acabam-se casamentos, alguns procurando noutra pessoa o que não conseguem dentro de casa.
Vamos começar a valorizar as nossas famílias, os nossos amigos, alunos ou subordinados.
Vamos elogiar o bom profissional, a boa atitude, a ética, a beleza do parceiro ou parceira, o comportamento de nossos filhos.
O bom profissional gosta de ser reconhecido, o bom filho fica feliz por ser louvado, o pai e a boa mãe sentem-se bem ao serem amados e amparados.
O amigo quer sentir-se apreciado.
Vivemos numa sociedade em que cada um precisa do outro; é impossível uma pessoa viver sozinha e sentir-se feliz. Os elogios são forte motivação na vida de cada um.
Quantas pessoas posso fazer hoje feliz elogiando-as de alguma forma?
Quer um abraço? Um beijo? Ou apenas dizer que gosto muito de si?


segunda-feira, 11 de maio de 2015

Perdoa-me


O amigo como inimigo


                                                                                      
Se ficamos mais decepcionados com os nossos amigos do que com os inimigos é porque esperamos receber o bem dos amigos e o mal dos nossos inimigos. Nem sempre, porém, as coisas funcionam assim, pois não? É por esta razão que se previne de que, por vezes, um amigo comportasse como um inimigo e o inimigo age como um amigo.
Quando é que uma censura ou repreensão pode ser um sinal de amor?
O amor não tem só a ver com beijos e palavras doces. O amor, por vezes, obriga-nos a censurar um amigo ou um filho e pode correr o risco de parecer desagradável, condenatório e crítico. Podemos até vir a perder amigos pela nossa sinceridade ao nos expressarmos. Contudo, se não advertirmos os amigos a respeito do que andam a fazer, especialmente se é algo que lhes possa causar dano, então que tipo de amigos somos nós?
Uma censura aberta é também um sinal de que o nosso amor não assenta em ilusões e fingimentos, mas baseia-se na verdade e na confiança.
 Qual pode ser o resultado da confrontação entre amigos?
A imagem do ferro a aguçar-se com o ferro sugere um benefício recíproco. Uma amizade posta à prova por verdadeiro confronto melhorará não apenas a qualidade da amizade, mas também estimulará e fortalecerá a personalidade de ambos. As respectivas armas ganharão mais eficácia. Acabaremos por ficar mais apetrechados para lutas futuras. As pessoas que se refugiam em si mesmas e unicamente nas suas ideias pessoais, e nunca se confrontam com o desafio de opiniões diferentes, não se desenvolverão no conhecimento, nem no carácter.
Já alguma vez recebeu uma censura por alguma coisa que poderia realmente provocar-lhe dano?
Imagine que não recebia advertência nenhuma a tal respeito. Tendo isto em mente, se tivesse de fazer o mesmo em relação a outra pessoa, como poderia fazê-lo de maneira redentora, em vez de maneira condenatória e crítica?

Qual é o seu nível pessoal de abertura e de transparência naquilo que diz? Que nível de desconexão há entre as suas palavras e os seus pensamentos? Acha realmente que uma tal duplicidade pode ser mantida indefinidamente?