sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Um dia acontece a qualquer um de nós. Duvidam?



Estava esta manhã a ver passar o cortejo Carnavalesco das crianças em Azeitão e sentou-se ao meu lado um individuo da minha idade, quando inesperadamente desabafou assim:
 - Ainda a semana passada, tinha tudo! Um cozinheiro para as refeições, o meu quarto estava limpo, as minhas roupas lavadas e passadas e tinha um tecto para me abrigar equipada com TV, Internet, Sala de Desportos, Piscina, Biblioteca e até podia estudar...
Perguntei-lhe: Então amigo, o que é que se passou? Desemprego? Droga? Álcool? Mulheres? Jogo?
 - Não, não... Saí da prisão!
- Mas cometeu algum crime para ter estado preso?
- Não amigo, não sou um criminoso. Sou viúvo, reformado já há alguns anos e por causa de um filho fiquei na miséria. Coloquei tudo o que tinha em seu nome e ao juntar-se com a namorada correram comigo de casa. Deixaram-me na rua com a roupa que tinha no corpo.
A dormir na rua e a viver da mendicidade, dirigi-me a um polícia e disse-lhe para me prender.
O agente respondeu-me: - Senhor, não tenho razões para o prender. Não fez mal a ninguém…
Eu insistia com o agente da autoridade para me prender porque não tinha onde dormir nem onde comer e insisti que me prendesse, mas em vão.
Desesperado com fome e sem descansar sentia-me fraco e quase a desfalecer.



De repente, num acto impensável peguei numa pedra e lancei-a ao vidro de um Banco, partindo-o em pedaços.
Aí, o agente da autoridade algemou-me e levou-me para a esquadra, depois para o tribunal e posteriormente para a cadeia.

Ajoelhei-me aos seus pés e disse-lhe com carinho: - Muito obrigado! Agora já vou ter um tecto, uma cama e comida. Que Deus o proteja...

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Uma "Intrusa" na minha casa

Era eu ainda muito jovem, o meu pai conheceu uma estranha, recém-chegada à nossa pequena vila. Vila Boim - Elvas.
Desde o início, o meu pai ficou fascinado com esta encantadora personagem e, de seguida, convidou-a a viver connosco.
A estranha aceitou e, desde então, esteve sempre connosco.
Enquanto crescia, nunca perguntei qual o papel daquela “intrusa” na família; na minha mente jovem já tinha um lugar muito especial.
A minha mãe ensinou-me o que era bom e o que era mau e o meu pai ensinou-me a obedecer.
Mas a “intrusa”, como eu lhe chamava, era a nossa conselheira.
Mantinha-nos enfeitiçados durante horas com aventuras, mistérios e comédias.
Ela tinha sempre respostas para qualquer coisa que quiséssemos saber de política, história ou ciência.
Conhecia tudo do passado, do presente e até podia adivinhar o futuro!
Levou a minha família ao primeiro jogo de futebol.
Fazia-me rir e fazia-me chorar.
A “intrusa” nunca parava de falar, mas o meu pai não se importava.
O meu pai tinha fortes convicções morais, mas a “intrusa” nunca se sentia obrigada a honrá-las.
As blasfémias, os palavrões, por exemplo, não eram permitidas em casa, nem da nossa parte, nem dos nossos amigos ou de quem nos visitasse.
Entretanto, a nossa “intrusa” de longo prazo usava sem problemas a sua linguagem inapropriada  que às vezes queimava os meus ouvidos e que deixava os meus pais envergonhados.
O meu pai nunca me deu permissão para beber, mas a “intrusa” sugeria a tentá-lo e fazia-o de forma regular. Fez também com que o cigarro parecesse fresco e inofensivo.
Falava livremente (talvez em demasia) sobre sexo. Os seus comentários eram às vezes evidentes, outros sugestivos e geralmente vergonhosos.
Agora sei que os meus conceitos sobre as relações humanas foram influenciados fortemente durante a minha adolescência pela “intrusa”.
Repetidas vezes a criticaram, mas ela nunca deu importância aos valores dos meus pais, mesmo assim, permaneceu em nossa casa.
Passaram-se mais de cinquenta anos desde que a “intrusa” veio para a família. Desde então mudou muito e já não é tão fascinante como era no princípio.
Os meus pais faleceram mas a “intrusa” continua na minha casa sempre à espera que alguém queira escutar as suas conversas ou dedicar o seu tempo livre a fazer-lhe companhia.
O nome dela? Ah, é a Televisão. Sim, a “intrusa” é a televisão.
Agora tem um marido que se chama Computador, um filho que se chama Telemóvel e um neto de nome Tablet.
A “intrusa” agora tem uma família.
E a nossa família será que ainda existe?




domingo, 29 de janeiro de 2017

O tempo

O tempo é como um rio ao qual nunca tocamos na mesma água duas vezes, porque a água que passou não passará de novo.
Encontrem tempo para viver. Pode ser?


quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Purinapakova: Um livro de leitura obrigatória.

Imaginem os meus amigos(as) que ficavam enclausurados durante 22 anos.
Esta rapariga entrou para um Convento muito nova com o objectivo de servir a Deus como freira. Opções de vida...
O que não esperava era das atrocidades físicas e psíquicas que viria a sofrer durante todos esses anos.
Um caso real aliado a um pouco de ficção da minha parte, que não dispenso de recomendar a sua leitura.
Se porventura não ainda não o leu, não perca tempo!
Poderei enviá-lo autografado para a sua casa, se assim o entender...

Basta enviar email para: manetaalhinho@gmail.com