A caminho do S. Mateus de Elvas, já tinha deixado Borba para
trás quando à distância vejo o cigano Asdrubal a insistir com o seu burro Janico
para caminhar. Mas qual quê? O burro encostou-se à valeta e dali não saía, nem
para trás nem para a frente.
O Asdrubal bem tentava ver de onde vinha o problema do burro.
Seria artroses, dores ciáticas ou cólicas intestinais?
Estava ali um quadro caricato. Abeirei-me dele e perguntei:
- Então caro amigo o que é que se passa com o seu burrito?
Será que tem fome ou sede?
- Qual quê responde-me o cigano Asdrubal. Ele comeu e bebeu
bem, antes de partirmos. Comeu e bebeu mais do que eu…
Ao longe pelo montado avistei uma casita pequena e disse ao
Asdrubal para lá ir, de forma a pedir ajuda.
Lá se pôs ao caminho e apareceu-lhe um homem com um grande
bigode chamado Manel, que logo se prontificou a ajudar o pobre cigano.
O Ti Manel pega numa lata e num pincel grande e lá vinham
eles conversando sobre o estado de saúde do animal.
Eu esperei ao lado do burro, como era o meu dever, pois
claro!
Depois dos cumprimentos, o Ti Manel pede ao Asdrubal cigano
para levantar o rabo do burro e vai daí, o homem molha o pincel na lata da
aguarás e dá duas sacudidelas no rabo do burro.
Ó meu Deus, o burro Janico levantou-se num repente e numa
correria louca, desembraia pela estrada fora que até os cascos faziam faísca.
O cigano vira-se para o Ti Manel e pergunta-lhe: - Então
compadre e agora como é que apanho o meu burro?
Sem pestanejar, disse para o Asdrubal: - Abaixe lá as calças
e a ceroulas. E o cigano assim fez. Ai mãe, a mesma táctica, duas besuntadelas
no rabo do cigano que até deitava fumo pelas orelhas por aquela estrada fora.
Passou pela Terrugem, mas a velocidade era tanta que ao entrarem por Vila Boim,
o cigano Asdrubal ultrapassa o seu burro Janico e diz-lhe em voz alta:
- Encontramo-nos no
Santuário do São Mateus. Não te esqueças tábem…
Concluindo: Quando cheguei à Feira já lá estavam os dois
mergulhados no chafariz, em frente ao Restaurante “El Cristo”.

