quinta-feira, 12 de março de 2026

Chega. Basta. Já cansa…

 

Falem do que quiserem, massacrem, dissequem e cuspam, mas não envolvam pessoas que caminham nesta vida com humildade e transparência.

Se querem fazer porcarias e vomitar o veneno, soltem-no ao vento nas imensas falésias da nossa costa. São seis mil hectares, espaço mais que suficiente para verterem a vossa frustração e a raiva contida. Mas não o façam através das redes sociais, com perfis fraudulentos e emails fabricados à “la minute”. Maldigam os patrões, a família, os devedores, os ex-namorados, maridos ou candidatos a ex qualquer coisa.

Digo isto, também na qualidade de vítima destas artimanhas, porque apesar de ter um passado mais ou menos organizado, com um arquivo doce e mão benevolente do tempo e do respeito, sou um alvo fácil de abater.

Mas, dá-me asco ver a facilidade com que se atiça fogo nas redes sociais, a forma desmazelada como se faz uso fácil da ironia e de algumas figuras de estilo, em prol do vómito da vingança.

“Roubaste-me dinheiro que estava caído na tua cozinha”; “Tiraste um mestrado sem estudares”; “Chulo de mulheres” e muitas outras tantas, daqueles que se escondem atrás de um ecrã e de uma claque de amigos, que batem palmas a qualquer pôr do sol.  Arrogância usada nas afirmações só com o objectivo de insultar. Não, não são todos líderes déspotas de países de terceiro mundo, são pessoas iguais a nós, que pertencem a uma família qualquer, tão disfuncional como a nossa, que serão pais ou não, mas certamente filhos de alguém.

Infelizmente, a nossa relação, com alguém, não define essa pessoa. Pensar o contrário é uma pretensão, mesmo com muito amor próprio.

Um relógio parado acerta duas vezes por dia. Mas nós não somos um relógio, nem nunca seremos tão precisos quanto um. Temos obrigação orgânica de sermos mais ponderados e de pensamento mais flexível.

Mal, toda a gente vai pensar, alguma vez, e toda a gente vai dizer, muitas vezes. Sempre que for possível, dominem-se, reservem-se e respirem fundo.

O mundo agradece e amolece. E para duras, já nos bastam as pedras do caminho.

Fui eu quem disse…

 


Joaquim Maneta Alhinho

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