Todas as manhãs, o gerente de um grande banco de Lisboa,
passava na esquina onde está sempre o engraxador. Senta-se na cadeira e,
enquanto lê o “Diário de Noticias”, o engraxador dá um brilho espelhado nos seus
sapatos.
Certa manhã, o engraxador pergunta ao gerente bancário:
- O que é que o senhor pensa da situação do mercado de
acções?
O gerente responde-lhe com alguma arrogância:
- Não faço ideia… Porque está tão interessado nesse assunto!
- Sabe – diz o engraxador - tenho dez milhões de euros no seu
banco
e estou a pensar investir parte do dinheiro no mercado de
capitais.
- Como se chama? – pergunta o gerente.
- Joaquim Trovoada Ganhão.
O gerente chega ao banco e pergunta ao Chefe do Departamento
de Clientes:
- Temos algum cliente chamado Joaquim Trovoada Ganhão?
- Sim, sim, temos sim. É um cliente muito estimado e tem dez
milhões
de euros na conta.
O gerente sai do banco, vai ter com o engraxador e diz-lhe:
- Senhor Ganhão, peço-lhe que na próxima segunda-feira o
senhor seja o nosso convidado de honra numa reunião de administração do banco.
Na reunião, o gerente apresenta o engraxador aos restantes
membros:
- Todos nós conhecemos o Sr. Ganhão que dá um brilho
excelente aos
nossos sapatos, mas este senhor também é um nosso estimado
cliente,
com alguns milhões de euros
na sua conta. Eu convidei-o para nos contar
a história da sua vida, pois tenho a certeza que vamos
aprender muito com ele.
O Sr. Joaquim Ganhão começou por descrever a história da sua
vida:
«Vim para a capital há cinquenta anos como um jovem, em busca
de trabalho e com um nome muito esquisito. Saí do comboio sem um tostão nos bolsos.
Vim faminto e exausto. Comecei a vaguear em busca de trabalho
fixo,
mas sem sucesso. Passei muito mal...
Um dia, encontrei uma nota de 20 escudos no passeio. Comprei
um kilo de maçãs. Aqui, tinha duas opções: Ou comer as maçãs e saciar a minha
fome ou abrir um negócio.
Vendi as maçãs por 5 escudos e comprei mais algumas com o resto
do dinheiro.
Vendi muitas maçãs...Ui, se vendi!
Quando comecei a juntar alguns escudos, consegui comprar um
conjunto de escovas usadas e comecei a limpar sapatos. Não gastei um centavo em
diversões ou roupas...Apenas comprei pão e queijo para
sobreviver.
Economizei escudo a escudo e passado algum tempo comprei escovas
novas, mais graxas e pomadas para sapatos de várias cores e
aumentei a
minha clientela. Eu vivia como um monge e economizava,
economizava...
Uns anos depois, consegui comprar uma cadeira para que os
meus
clientes se pudessem sentar confortavelmente, enquanto lhes
limpava
os sapatos, o que me trouxe mais clientes.
Continuei sem gastar um centavo com os prazeres da vida.
Continuei a economizar dia após dia. Entretanto, o Escudo
virou para o Euro.
Passado mais alguns anos, outro engraxador, o da Avenida da
Liberdade, decidiu reformar-se. Eu já tinha economizado dinheiro suficiente
para comprar o lugar dele, que era bem melhor que o meu...Assim fiz!
Finalmente, há cinco meses, a minha irmã, que era uma afamada
prostituta no Intendente, foi atropelada, faleceu e deixou-me oito milhões de euros.
Meus senhores, desejam mais alguma coisa? Vão mas é trabalhar…»
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