Falem do
que quiserem, massacrem, dissequem e cuspam, mas não envolvam pessoas que
caminham nesta vida com humildade e transparência.
Se querem
fazer porcarias e vomitar o veneno, soltem-no ao vento nas imensas falésias da
nossa costa. São seis mil hectares, espaço mais que suficiente para verterem a
vossa frustração e a raiva contida. Mas não o façam através das redes sociais,
com perfis fraudulentos e emails fabricados à “la minute”. Maldigam os patrões,
a família, os devedores, os ex-namorados, maridos ou candidatos a ex qualquer
coisa.
Digo isto,
também na qualidade de vítima destas artimanhas, porque apesar de ter um
passado mais ou menos organizado, com um arquivo doce e mão benevolente do
tempo e do respeito, sou um alvo fácil de abater.
Mas, dá-me
asco ver a facilidade com que se atiça fogo nas redes sociais, a forma desmazelada
como se faz uso fácil da ironia e de algumas figuras de estilo, em prol do
vómito da vingança.
“Roubaste-me
dinheiro que estava caído na tua cozinha”; “Tiraste um mestrado sem estudares”;
“Chulo de mulheres” e muitas outras tantas, daqueles que se escondem atrás de
um ecrã e de uma claque de amigos, que batem palmas a qualquer pôr do sol. Arrogância usada nas afirmações só com o
objectivo de insultar. Não, não são todos líderes déspotas de países de
terceiro mundo, são pessoas iguais a nós, que pertencem a uma família qualquer,
tão disfuncional como a nossa, que serão pais ou não, mas certamente filhos de
alguém.
Infelizmente,
a nossa relação, com alguém, não define essa pessoa. Pensar o contrário é uma
pretensão, mesmo com muito amor próprio.
Um relógio
parado acerta duas vezes por dia. Mas nós não somos um relógio, nem nunca
seremos tão precisos quanto um. Temos obrigação orgânica de sermos mais
ponderados e de pensamento mais flexível.
Mal, toda
a gente vai pensar, alguma vez, e toda a gente vai dizer, muitas vezes. Sempre
que for possível, dominem-se, reservem-se e respirem fundo.
O mundo
agradece e amolece. E para duras, já nos bastam as pedras do caminho.
Fui eu
quem disse…
Joaquim Maneta Alhinho
