quinta-feira, 4 de março de 2021

A águia e o corvo

 

O único pássaro que se atreve a bicar uma águia é o corvo. 

Ele senta-se em cima das costas e bica no pescoço da águia. 

No entanto, a águia não responde e  não luta com o corvo, ela não perde tempo nem energia com o corvo.

Simplesmente abre as suas asas e começa a subir o mais alto nos céus. Quanto mais alto voa, mais difícil se torna para o corvo respirar e ele cai por falta de ar e energia.

Quanto mais perto tu estiveres do objectivo, mais obstáculos surgirão.

As críticas serão mais nítidas e as calúnias mais intensas.

Só cabe a ti subires de nível para ver os obstáculos caírem por conta própria.

Sobe de nível, e sê uma águia!




sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

Aprendi com o silêncio

 Aprendi com o silêncio a reparar nas coisas mais simples. Valorizo o que é belo e ouço o que faz algum sentido...

Aprendi com o silêncio que a solidão não é o pior castigo. Existem companhias bem piores...
Aprendi com o silêncio que a vida até é boa, bastando olhar para o lado certo, ouvir a musica certa e ler o livro adequado.
Aprendi com o silêncio a respeitar a vida, valorizando os meus dias, realçando as qualidades e defeitos que possuo e descobrir que ainda não vi.
Aprendi com o silêncio que até mesmo a morte, chega de mansinho e, como hábil cirurgiã, rompe os laços que prendem a alma ao corpo, libertando-a do cativeiro físico.
Por respeito a quem me lê, fico em silêncio, para que possa ouvir o vosso interior e desejar-vos uma vida vitoriosa.



sábado, 6 de fevereiro de 2021

O luxo


Fizeram-nos acreditar que o luxo era o raro, era o caro, o exclusivo, tudo aquilo que nos parecia inalcançável. Agora damo-nos conta que o luxo eram essas pequenas coisas que não sabíamos valorizar: Luxo é estarmos saudáveis.

Luxo é não carecermos de entrar num hospital.
Luxo é passearmos à beira mar.
Luxo é poder sair à rua e respirar sem máscara.
Luxo é poder reunir-se com toda a família, com os amigos.
Luxo são os olhares.
Luxo são os sorrisos.
Luxo são os abraços e os beijos.
Luxo é desfrutar cada amanhecer.
Luxo é o privilégio de amar e estar vivo.
Tudo isto é um luxo e nós não nos apercebemos!




domingo, 3 de janeiro de 2021

A Viagem pela Vida

 

Um dia li um livro que comparava a vida a uma viagem.

Uma comparação extremamente interessante quando bem interpretada, claro!

Interessante porque a nossa vida é como uma viagem, cheia de embarques e desembarques e de pequenos acidentes pelo caminho. De surpresas agradáveis pelos embarques e tristezas com os desembarques.

Quando nascemos, encontramos duas pessoas que acreditamos que ficarão connosco até ao fim da viagem. São os nossos pais.

Infelizmente, nalguma estação desta viagem eles irão desembarcar. Vamos ficar órfãos dos seus carinhos, protecção, amor e afecto. Mas isto, não impede que durante a viagem, embarquem pessoas especiais que vão fazer parte integrante da nossa vida. Os irmãos, os amigos e os amores.

Muitos fazem esta viagem como sendo apenas um passeio. Outras, fazem o mesmo percurso encontrando apenas tristezas. E na viagem, encontramos pessoas de tempos a tempos e passam por nós prontas para nos ajudar. Ao invés, aparecem outras para nos derrubar, para nos destruir.

Muitas ficam pelo caminho e deixam saudades eternas, outras tantas viajam de tal forma, que quando partem, ninguém se apercebe da sua ausência. Curioso! Curioso é considerar que alguns passageiros desta viagem que nos são tão queridos, acomodam-se em lugares distantes e obrigam-nos a fazer a viagem separados deles. Mas isso, não impede que tenhamos de atravessar fronteiras e chegar até eles.

O difícil é aceitar que outras pessoas já ocuparam os nossos lugares.

Esta viagem está cheia de atropelos, sonhos, fantasias, esperas, embarques e desembarques. Sabemos todos que esta viagem não se irá repetir. Ela é única!

Façamos desta viagem da melhor maneira possível, tentando manter um bom relacionamento com todos, procurando em cada um o que tem de melhor, lembrando sempre, que nalgum momento do trajecto poderão fraquejar e provalvelmente carecer da nossa ajuda.

O grande mistério é que não sabemos em que local vamos parar nesta viagem. E aqui, interrogo-me: “Se terei saudades, quando for eu a ficar numa paragem desta viagem?”

Claro que sim!

Deixar os meus filhos e viajar sozinho será muito triste. Separar-me dos amigos, do amor da minha vida, será doloroso.

Espero sempre que algum dia, estarei na estação principal e terei a emoção de os ver chegar com as suas bagagens.

Bagagens que não tinham quando iniciaram a viagem, e o que me deixa feliz é saber, que de alguma forma eu colaborei para que essa bagagem tenha crescido e ter-se tornado valiosa. Fico feliz também por saber, que pessoas como nós, tenham capacidade de construir para recomeçar. Isso é sinal de garra e de luta. É saber viver…

Agradeço muito, por ti que me lês, de fazeres parte da minha viagem. Vamo-nos dedicar mais a quem consideramos ser nossos amigos e trabalhar menos para os outros.

A vida é um conjunto de experiências para serem apreciadas e não sobrevividas.

Existem frases que um dia vão desparecer do meu vocabulário. Vou fazer tudo o que tenho vontade, hoje!

Este é o momento. Chegou o tempo de dizer a todos, os que de alguma forma passaram pela minha vida, que os amo muito.

Agora procuro não retardar e em cada segundo encontrar algo de muito especial que me acompanhe nesta viagem.

Sei que não é fácil, mas vou no mínimo tentar…

 


 

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

A DÍVIDA DA PROSTITUTA

 

Em Agosto, numa pequena cidade, caía uma chuva torrencial e há vários dias que a cidade parecia deserta.

Fazia tempo que a crise vinha fustigando este lugar, todos tinham dívidas e viviam à base de créditos.

Por sorte, chega um velho milionário e entra no único e pequeno hotel da cidade. Pede um quarto, põe  uma nota de 100 Euros na mesa da recepcionista e vai ver se o quarto lhe agrada.

O dono do hotel pega na nota e sai a correr para pagar as suas dívidas ao Chico do Talho.

Este, pega na nota e sai disparado para pagar a sua dívida ao criador de gado.

A seguir, por sua vez,  este sai a correr também para pagar o que deve ao fornecedor de alimentos para os animais.

De seguida, o Zé do Celeiro, pega na nota e vai a correr para liquidar a sua dívida para com a Maria, a prostituta da cidade, porque já há algum tempo que não lhe pagava. Em tempos de crise até ela oferecia serviços a crédito...

A prostituta com a nota na mão segue para o pequeno hotel, onde prestava serviços aos seus clientes e estava atrasada no pagamento. Entregou a nota ao dono do hotel, agradecendo.

Nesse preciso momento desce o milionário que acabara de ver os quartos e diz que nenhum lhe convém, e pega na nota de novo.

"Ninguém ganhou um cêntimo, mas agora toda a cidade vive sem dívidas e olha para o futuro com confiança"!




domingo, 29 de novembro de 2020

OS FILHOS DO TELEMÓVEL!

 

Antes perdíamos os filhos nas praias, nos bares, hoje perdemo-los dentro do quarto!

Quando brincavam na rua ou nos quintais ouvíamos as suas vozes, escutávamos as suas fantasias e ao ouvi-los, mesmo à distância, sabíamos o que se passava nas suas mentes.

Quando entravam em casa não existia uma TV em cada quarto, nem dispositivos electrónicos nas suas mãos.

Hoje, não escutamos as suas vozes, não ouvimos os seus pensamentos nem as suas fantasias, as crianças estão ali, dentro dos seus quartos e, por isso, pensamos estarem em segurança.

Quanta imaturidade a nossa‼️

Agora ficam com os auscultadores nos ouvidos, trancados nos seus mundos, construindo personagens ilusórias, sem que saibamos por onde navegam.

Perdem literalmente a vida, ainda vivos em corpos, mas mortos nos relacionamentos com os pais, com os irmãos e até com os amigos, fechados num mundo global de tanta informação e estímulos, de modismos passageiros, que em nada contribuem para a formação das crianças seguras e fortes, sem decisões moralmente corretas, nem de acordo com os princípios éticos e valores familiares.

Dentro dos seus quartos perdemos os filhos, pois não sabem mais quem são, porque já estão “mortos” da sua identidade. Tornam-se uma mistura de tudo aquilo, pelo qual eles têm sido influenciados.

São inúmeras as famílias doentes, com os filhos “mortos” dentro de quatro paredes.