Eu, Joaquim Arlindo Maneta Alhinho, assumo a minha candidatura ao cargo de Presidente da República Portuguesa, nas eleições a realizar em Janeiro de 2016.
terça-feira, 14 de abril de 2015
quinta-feira, 2 de abril de 2015
domingo, 29 de março de 2015
sábado, 28 de março de 2015
Vamo-nos arrastando...
Arrastamos
os dias como podemos e sabemos. Às vezes encarrilamos em tarefas que, de algum
modo, nos divertem; outras vezes sentimos desafios e entusiasmos; por vezes
ficamos entristecidos, zangados e infelizes; mas, genericamente distraímo-nos
com pequenos acontecimentos e afazeres que esquecemos mal terminam e parecem
não deixar qualquer rasto.
Os dias
correm com alguma monotonia, ainda que os mais hábeis aprendam a dosear as
quantidades certas da rotina que os tranquiliza e da novidade que os desperta e
inquieta.
Excepcionalmente,
muito excepcionalmente, alguns mergulham em estado de graça.
Vinda de um
confim qualquer, indizível e misterioso, chega à consciência uma espécie de
energia transformadora que faz a diferença.
Porque tal
acontece, tudo o que nos rodeia ganha uma nova e diferente profundidade e
nitidez. As cores, os odores, as formas, deixam de ser as conhecidas, as
vulgares de sempre e adquirem um tom brilhante como se um manto diáfano de belo
cobrisse tudo. As pessoas com que nos cruzamos parecem vivificadas, mais
interessantes, humanas e calorosas. As cidades, os prédios, as ruas, os
escritórios deixam-se também tocar por essa estranha graça que os transforma em
organismos quase vivos, claros e vibrantes. Os problemas por resolver, as
dúvidas do costume, as expectativas acalentadas e escondidas, de repente perdem
peso, perdem espaço. Uma inefável sensação de bem-estar impregna de leveza e
claridade o que pouco antes era amorfo, incolor e mesmo obscuro.
O corpo, o
nosso corpo, transforma-se num santuário de prazer. Um prazer beatífico mas
pungente que emana em todas as direcções e que, também ele leve e renovado,
consegue fazer as pazes com todas as antigas maleitas, todas as imperfeições,
todas as insuficiências antes conhecidas e experimentadas.
Alguns
associam este estado de graça a acontecimentos específicos como uma paixão
amorosa, uma gravidez muito desejada ou uma situação capaz de introduzir
ruptura com os sentidos habituais, como por exemplo a sobrevivência a uma doença
ou a acidente grave.
Outros sabem
que o estado de graça pode acontecer apenas porque sim, eventualmente para nos
fazer sentir que viver pode ser, além de um facto de natureza, uma dádiva única
que há que celebrar.
Joaquim Maneta Alhinho
quinta-feira, 26 de março de 2015
Poema "Terceira Juventude" faz parte do livro «Antologia de Poesia Contemporânea»
Este poema da minha autoria (que já virou letra de canção) teve a distinção de ser incorporado na «Antologia de Poesia Contemporânea», editado em livro pela Chiado Editora, com o título "Entre o Sono e o Sonho".
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015
O menino e a bicicleta azul
Pediu aos pais uma bicicleta
e gostava que fosse azul. Nem mais nem menos, azul como a cor do mar.
A primeira bicicleta que
teve, tinha três rodas e chamava-se triciclo e aquela que pedira, diziam os
pais, iria ter também 3 rodas, a roda grande e duas pequenas atrás para ele se
equilibrar e não cair.
Tude certo pensou, desde que
fosse azul, como aquela do palhaço equilibrista que tanto o impressionou, nas
últimas férias, quando os pais o levaram ao circo do Coliseu. Ida que foi uma
aventura, a sua primeira grande aventura, com tigres e leões domados e
pacíficos mas que, mesmo assim o assustaram. E os ginastas e trapezistas que
voavam de um lado para o outro que até pareciam as gaivotas na praia onde
ensaiou os primeiros banhos de mar. Também, as mulheres do circo eram bonitas,
como a mãe e a educadora do jardim infantil, mas que faziam ginásticas
complicadas em fato de banho, de pé em cima de cavalos brancos que rodopiavam
na pista e lhe punham a cabeça a girar sem perceber porquê.
Mas, desta iniciática
experiência, o que se lhe fixou mais na memória e que puxava agora à lembrança,
foi o tal palhaço de bicicleta azul que fazia uma variedade enorme de piruetas
e depressa desmontou parte da bicicleta e ficou só como uma roda e, mesmo
assim, saltou uma prancha e parou em cima dela, indeciso se ia para um lado ou
para outro e, mais estranho ainda, aterrou numa corda esticada entre dois
tripés que os companheiros seguravam bem e só com uma roda andava de trás para
a frente e de frente para trás, com uma comprida barra de ferro nas mãos e
ficava assim, parado no ar, a receber aplausos da assistência, os dele também,
para alegria dos pais que se sentiam gratificados por o miúdo ter gostado do
circo.
Veio para casa e, mesmo ainda
pelo caminho, pediu uma bicicleta azul como aquela do palhaço. Foi-lhe feita a
vontade e o miúdo depressa se transformou num “às do pedal”, à custa de uns
tantos arbustos amachucados no jardim da cidade, de algumas negras nos braços e
nas pernas e alguns arranhões arrancados do cimento dos passeios. Era uma
obsessão pela bicicleta azul que os pais se esforçavam por compreender.
Só quanto tentou imitar o
palhaço do circo e se estatelou abruptamente sobre um canteiro de roseiras que
o deixaram a sangrar, é que percebeu que a sua bicicleta azul não era igual à
daquele palhaço que lhe ficara na memória.
Na vida … (conclua o leitor esta crónica)
E a leitora Carla Ferreira, da Moita, concluiu desta forma:
E a leitora Carla Ferreira, da Moita, concluiu desta forma:
Na vida todos andamos de bicicleta de maneira diferente e o
menino percebeu que o importante era conseguir andar na bicicleta azul, mesmo
que não o fizesse tão bem como o palhaço que tentou imitar no circo. Pois ele
iria levantar-se e ergue-se de novo quantas vezes cai-se, porque o importante é
nunca desistir mesmo que se fique machucado e se estrague o canteiro do vizinho,
pois a dor e a persistência é que nos fazem fortes!
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