terça-feira, 14 de abril de 2015

Candidato às Eleições Presidenciais/2016

Eu, Joaquim Arlindo Maneta Alhinho, assumo a minha candidatura ao cargo de Presidente da República Portuguesa, nas eleições a realizar em Janeiro de 2016.



sábado, 28 de março de 2015

Vamo-nos arrastando...


Arrastamos os dias como podemos e sabemos. Às vezes encarrilamos em tarefas que, de algum modo, nos divertem; outras vezes sentimos desafios e entusiasmos; por vezes ficamos entristecidos, zangados e infelizes; mas, genericamente distraímo-nos com pequenos acontecimentos e afazeres que esquecemos mal terminam e parecem não deixar qualquer rasto.
Os dias correm com alguma monotonia, ainda que os mais hábeis aprendam a dosear as quantidades certas da rotina que os tranquiliza e da novidade que os desperta e inquieta.
Excepcionalmente, muito excepcionalmente, alguns mergulham em estado de graça.
Vinda de um confim qualquer, indizível e misterioso, chega à consciência uma espécie de energia transformadora que faz a diferença.
Porque tal acontece, tudo o que nos rodeia ganha uma nova e diferente profundidade e nitidez. As cores, os odores, as formas, deixam de ser as conhecidas, as vulgares de sempre e adquirem um tom brilhante como se um manto diáfano de belo cobrisse tudo. As pessoas com que nos cruzamos parecem vivificadas, mais interessantes, humanas e calorosas. As cidades, os prédios, as ruas, os escritórios deixam-se também tocar por essa estranha graça que os transforma em organismos quase vivos, claros e vibrantes. Os problemas por resolver, as dúvidas do costume, as expectativas acalentadas e escondidas, de repente perdem peso, perdem espaço. Uma inefável sensação de bem-estar impregna de leveza e claridade o que pouco antes era amorfo, incolor e mesmo obscuro.
O corpo, o nosso corpo, transforma-se num santuário de prazer. Um prazer beatífico mas pungente que emana em todas as direcções e que, também ele leve e renovado, consegue fazer as pazes com todas as antigas maleitas, todas as imperfeições, todas as insuficiências antes conhecidas e experimentadas.
Alguns associam este estado de graça a acontecimentos específicos como uma paixão amorosa, uma gravidez muito desejada ou uma situação capaz de introduzir ruptura com os sentidos habituais, como por exemplo a sobrevivência a uma doença ou a acidente grave.
Outros sabem que o estado de graça pode acontecer apenas porque sim, eventualmente para nos fazer sentir que viver pode ser, além de um facto de natureza, uma dádiva única que há que celebrar.


Joaquim Maneta Alhinho

Os prémios não são comprados nem roubados. São de quem os merece!


quinta-feira, 26 de março de 2015

Poema "Terceira Juventude" faz parte do livro «Antologia de Poesia Contemporânea»


Este poema da minha autoria (que já virou letra de canção) teve a distinção de ser incorporado na «Antologia de Poesia Contemporânea», editado em livro pela Chiado Editora, com o título "Entre o Sono e o Sonho".

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

O menino e a bicicleta azul



Pediu aos pais uma bicicleta e gostava que fosse azul. Nem mais nem menos, azul como a cor do mar.
A primeira bicicleta que teve, tinha três rodas e chamava-se triciclo e aquela que pedira, diziam os pais, iria ter também 3 rodas, a roda grande e duas pequenas atrás para ele se equilibrar e não cair.
Tude certo pensou, desde que fosse azul, como aquela do palhaço equilibrista que tanto o impressionou, nas últimas férias, quando os pais o levaram ao circo do Coliseu. Ida que foi uma aventura, a sua primeira grande aventura, com tigres e leões domados e pacíficos mas que, mesmo assim o assustaram. E os ginastas e trapezistas que voavam de um lado para o outro que até pareciam as gaivotas na praia onde ensaiou os primeiros banhos de mar. Também, as mulheres do circo eram bonitas, como a mãe e a educadora do jardim infantil, mas que faziam ginásticas complicadas em fato de banho, de pé em cima de cavalos brancos que rodopiavam na pista e lhe punham a cabeça a girar sem perceber porquê.
Mas, desta iniciática experiência, o que se lhe fixou mais na memória e que puxava agora à lembrança, foi o tal palhaço de bicicleta azul que fazia uma variedade enorme de piruetas e depressa desmontou parte da bicicleta e ficou só como uma roda e, mesmo assim, saltou uma prancha e parou em cima dela, indeciso se ia para um lado ou para outro e, mais estranho ainda, aterrou numa corda esticada entre dois tripés que os companheiros seguravam bem e só com uma roda andava de trás para a frente e de frente para trás, com uma comprida barra de ferro nas mãos e ficava assim, parado no ar, a receber aplausos da assistência, os dele também, para alegria dos pais que se sentiam gratificados por o miúdo ter gostado do circo.
Veio para casa e, mesmo ainda pelo caminho, pediu uma bicicleta azul como aquela do palhaço. Foi-lhe feita a vontade e o miúdo depressa se transformou num “às do pedal”, à custa de uns tantos arbustos amachucados no jardim da cidade, de algumas negras nos braços e nas pernas e alguns arranhões arrancados do cimento dos passeios. Era uma obsessão pela bicicleta azul que os pais se esforçavam por compreender.
Só quanto tentou imitar o palhaço do circo e se estatelou abruptamente sobre um canteiro de roseiras que o deixaram a sangrar, é que percebeu que a sua bicicleta azul não era igual à daquele palhaço que lhe ficara na memória.

Na vida … (conclua o leitor esta crónica)
E a leitora Carla Ferreira, da Moita, concluiu desta forma:


Na vida todos andamos de bicicleta de maneira diferente e o menino percebeu que o importante era conseguir andar na bicicleta azul, mesmo que não o fizesse tão bem como o palhaço que tentou imitar no circo. Pois ele iria levantar-se e ergue-se de novo quantas vezes cai-se, porque o importante é nunca desistir mesmo que se fique machucado e se estrague o canteiro do vizinho, pois a dor e a persistência é que nos fazem fortes!