segunda-feira, 16 de novembro de 2020
quarta-feira, 11 de novembro de 2020
Ai século XXI...Para ONDE vais?
Aqui, o amor tornou-se numa mala carregada de notas.
Onde perder o telemóvel é pior do que perder os valores
morais. Onde a moda é fumar e beber, e se não o fizeres, és um cota obsoleto.
Onde a casa de banho se transforma num estúdio fotográfico e
a igreja, o lugar perfeito para a cusquice habitual.
Século XXI, onde o serviço de entrega de pizza chega mais
rápido do que a ambulância.
Onde as pessoas morrem de medo de terroristas e criminosos,
muito mais do que temem a Deus.
Onde as roupas decidem o valor de uma pessoa e ter dinheiro é
mais importante do que ter amigos ou até mesmo uma família.
Século XXI, onde as crianças ignoram os pais, pelo amor
virtual de uma tablet ou num computador.
Onde os pais se esquecem de reunir a família à mesa para um
jantar harmonioso.
Onde homens e mulheres muitas vezes, só pretendem
relacionamentos sem obrigações e o seu único "compromisso" é fazer
poses para fotos, colocar nas redes sociais com juramento de amor eterno.
Onde o sexo se tornou público ou num filme pornográfico.
Onde o mais popular ou o mais seguido com mais “gostos” em
fotos é aquele que aparenta esbanjar felicidade, em locais paradisíacos,
rodeados por "amizades vazias" com "amores incertos" e
"famílias desunidas".
Onde vale mais uma lipoaspiração para ter o corpo desejado do
"mundo artístico" do que um bom ofício ou um diploma universitário.
Onde uma foto no ginásio tem muito mais “gostos” do que uma
foto a estudar ou em trabalho voluntário.
Século XXI, aqui só sobrevive quem jogar com a
"razão" e será destruído quem agir com o coração!
Ai pois é…
quinta-feira, 5 de novembro de 2020
E quando nos tornamos invisíveis...
Não! Não deveríamos envelhecer. Chegado os 90 anos dormíamos, para nunca mais acordar neste planeta, para não sermos humilhados quando mais precisamos de atenção, compreensão e carinho...
Já não sei em que data estamos, nesta casa não há calendários,
e na minha memória tudo está irremediavelmente revolto. As coisas antigas foram
desaparecendo. E eu também " fui-me apagando " sem que ninguém desse
conta. Ao crescer a família, trocaram-me de quarto. Depois, passaram-me para
outro menor ainda, acompanhada das minhas netas, agora ocupo aquele
"anexo" traseiro, no fundo do quintal.
Prometeram-me mudar o vidro partido da janela, mas
"esqueceram-se"... As noites
são frias e sopra por ali um ventinho gelado, que aumentam mais e mais as
minhas dores reumáticas.
Um dia, à tarde, dei conta que a minha voz tinha
desaparecido. Quando falo, os meus filhos e netos não me respondem. Conversam
sem olhar para mim, como se eu não estivesse ali. Às vezes digo algo,
acreditando que apreciarão os meus conselhos, mas nem me olham! Retiro-me para
o meu canto, antes de terminar o meu "café" deslavado. Agora sou
INVISÍVEL...
Estive três dias a chorar no meu quarto, até que numa certa
manhã, um dos netos entrou para guardar umas coisas velhas. Imaginem que nem
sequer "bom dia" me deu! Foi então que me convenci, de que sou mesmo
invisível.
Recentemente, os netos vieram dizer-me que iríamos passear ao
campo. Fiquei muito feliz, há tanto tempo que não saía daquele lugar!
Fui a primeira a acordar e a levantar-me. Quis arrumar as
coisas com calma, afinal, nós (os velhos) somos mais lentos, assim arranjei-me
a tempo de não os atrasar. De repente, todos entravam e saíam num frenesim
louco, correndo ruidosamente pela casa, atirando bolas e brinquedos para o
carro.
Eu já estava pronta e muito alegre, parei na porta e fiquei à
espera. Quando os vi partir, compreendi que não estava convidada, não fazia
parte dos planos, talvez porque, a lotação do carro estava esgotada.
Senti que o coração encolhia e o queixo tremia, como alguém
que tem vontade de chorar. Eu até os entendo, são jovens, sorriem, sonham,
abraçam-se, beijam-se... E eu?!?!?! Bem, eu... Antes beijava os meus netos,
adorava tê-los nos braços. Eram meus! Até cantava canções de embalar que já
tinha esquecido. Mas um dia...
Um dia a minha neta que acabara de ter um bebé disse-me: -
"Não é bom que os "velhos" beijem os bebés por "questões de
saúde". Desde então, não me aproximo mais deles, tenho tanto medo de
"contagiá-los"!
Definitivamente, tornei-me invisível…
Já alguma vez se sentiu invisível em algum lugar?
terça-feira, 3 de novembro de 2020
O Corpo de Dor
Os resíduos de dor deixados para trás por uma forte emoção
negativa que não foi totalmente sarada, aceite e depois abandonada juntam-se,
formando um campo energético que vive dentro das próprias células do nosso
corpo.
Não consiste apenas na dor da infância, mas também nas
emoções dolorosas que lhe foram acrescentadas posteriormente, durante a
adolescência e a vida adulta, muitas delas criadas pela voz do ego. É a dor
emocional que nos acompanha inevitavelmente quando uma falsa noção de
identidade constitui a base da nossa vida.
A este campo energético de emoções antigas, mas ainda muito
vivas, que habita dentro de quase todos os seres humanos dou o nome de corpo de
dor.
Contudo, o corpo de dor não tem uma natureza apenas
individual. Também acarreta a dor sofrida por inúmeros seres humanos ao longo
da História da Humanidade, que é uma história de permanentes guerras tribais,
de escravidão, pilhagens, violações, tortura e outras formas de violência.
Esta dor ainda vive na psico coletiva da Humanidade e é ampliada
diariamente, como podemos verificar nas notícias ou nos dramas das relações
interpessoais.
O corpo de dor colectivo provavelmente já faz parte do DNA
de todos os seres humanos, apesar de ainda não o termos descoberto.
Lamentavelmente, digo eu!
terça-feira, 27 de outubro de 2020
Temos pressa
Temos pressa. Não é que não
tenhamos tempo, mas temos pressa.
Temos pressa porque o tempo
connosco faz jus ao ditado. E regressa à contagem rápida quando regresso,
quando regressas.
Nessa pressa de não acabar, não há
sequer espaço para escolhas. Porque as escolhas têm tempo. E nós, só temos um destino.
Mudamos as regras do tempo e da pressa. Mas a pressa e o tempo continuam a
resvalar nos nossos dedos. Temos pressa em sair daqui, do marasmo que o tempo nos
vem habituando.
Será que ainda teremos pressa num
tempo que já não exista?
quarta-feira, 21 de outubro de 2020
Onde anda o meu sorriso?
Preciso de encontrar o caminho para voltar a sorrir. Sempre
tive um sorriso aberto, franco e leal.
De felicidade, até…
Passei muito tempo a conviver com o sucesso, meu e o dos
outros. Porque sempre achei que quando um amigo estava feliz e tinha sucesso,
eles eram meus também.
Fiz amigos, construí uma vida, amei muito. Sempre soube que
dar amor trazia de volta a felicidade. Fiz o possível para manter a minha família
comigo: filhos, esposas, pais e sogros.
Quanto aos últimos, fui cuidador até aos seus últimos
suspiros. Alguns até, terminaram o seu ciclo de mão dada comigo.
Penso que as percas ao longo da minha vida, fizeram-me
valorizar muito o que de bom a vida me dava.
Sempre encarei a vida de frente, peito aberto, disposto a viver
com alegria, mesmo quando todos me avisavam: “Não dá. É muita carga para ti.
Desiste…”
Sempre tive disposição para ser feliz que é o segredo para encontrar
a beleza da vida. Olhar as coisas e ver o lado positivo, negar o negativismo.
Fui feito para sorrir, para brincar, para ter e fazer algum
projeto que me deixava extremamente apaixonado: ter metas e cumpri-las. Ter fé
e nunca desacreditar que o melhor da vida estaria guardado para mim, para nós,
para todos vós, que vivem neste mundo carregado de incertezas.
Mas agora, com total honestidade, não me sinto nada feliz; o meu
sorriso murchou e o meu sol interior entrou em eclipse, fiquei aqui no meio da escuridão.
A vida fugiu de mim. Sinto que, já não tenho a força e o alento para
prosseguir. Já perdi os meus filhos, as esposas, os meus pais, os meus sogros e
até os animais de estimação.
Tudo o que vive tem que morrer um dia, eu sei!
Mas a dor e o sofrimento não acabam. Tanta mentira e tanta
traição, meu Deus…
Tudo tem um fim. Agarro-me à minha fé, mas ela fraqueja, sentindo-me
solto como quem vai cair num abismo. Num buraco sem fundo, em queda
desesperadamente livre, sem apoio, sem entender o porquê dos passos que dei.
Sinto medo, até pânico da vida que me assola.
Eu nasci para lutar. E continuo a minha luta. A maioria das
vezes, inglória. Os mortos amados já não vão voltar. Envelheço e entristeço-me.
Já não encontro as metas para seguir, nem espaço para sorrir. Os meus sorrisos,
agora são doloridos e sofridos.
Por onde andam os meus antigos sorrisos? Morreram também…Não
acredito!
sexta-feira, 2 de outubro de 2020
Vamo-nos enganando...
Quem me conhece sabe que não gosto
de comemorar aniversários, natais, carnavais e outras coisas mais.
Sou assim…Penso, que não devo ser
julgado por este facto.
Nós não fazemos anos. Os anos é
que vão fazendo a gente. E depois, pouco a pouco, nos desfazendo.
Até uma certa idade, faz-se festa
por um ano a mais. Depois de uma certa idade, faz-se festa por um ano a menos.
Mas aí, a festa é só para disfarçar. Ou sou eu que estou a divagar?
Estamos presos à Terra e aos seus
ritmos e rituais. E condenados a envelhecer junto dela.
Que tristeza de vida a nossa. Vamo-nos enganando…





